A voz da indústria

Minas e o Brasil precisam superar severos desafios ao longo dos próximos anos. No caso do nosso Estado, será necessário, em primeiro lugar, iniciar um processo de saneamento das contas públicas que permita que servidores e aposentados recebam em dia, prefeituras voltem a receber seus repasses constitucionais e serviços públicos sejam prestados com qualidade, em especial nas áreas de saúde, educação e segurança pública. O quadro econômico e fiscal de Minas Gerais é muito grave e isso está claro para todos.

Tendo em vista esses objetivos, é primordial que a grave crise econômica que atingiu não só Minas, mas o país, seja enfrentada definitivamente superada, atraindo investimentos e gerando empregos. Precisamos de postos de trabalho de diferentes portes, mas sem abrir mão daqueles de alta qualidade. E nesse debate a indústria ocupa papel central. Ela não só gera empregos qualificados e com remuneração elevada, mas também estimula a inovação e a tecnologia e possibilita a redução de desigualdades regionais, ainda tão presentes no estado.

Para que nosso setor industrial retome o caminho do desenvolvimento com brevidade, é indispensável uma forte mobilização de mineiras e mineiros. Um movimento que debata a desburocratização, o aumento da produtividade e a diversificação da nossa matriz econômica, ainda tão dependente da atividade mineradora e do agronegócio.

Uma mobilização que estude e busque a simplificação da nossa carga tributária, que nos últimos anos teve as alíquotas de combustíveis e energia aumentadas – uma cartada prejudicial a todo o setor produtivo e com efeito cascata, atingindo também todo o consumo. Que traga o poder público para dentro do debate sobre a Economia 4.0 e seus impactos nos postos de trabalho dos próximos anos, sem abrir mão do debate do desenvolvimento sustentável.

Um movimento que agregue o conjunto das forças partidárias e diferentes setores da sociedade, sempre com a fundamental liderança da Fiemg, legitimando uma pauta robusta de reivindicações, promovendo eventuais alterações na legislação estadual e ampliando o canal de diálogo com o Executivo. Que faça os setores público e privado atuarem em sinergia com a sociedade civil.

E que fortaleça a voz da indústria mineira, para que ela seja ouvida em alto e bom som em Brasília, tendo em vista o fato de o governo Jair Bolsonaro ter sinalizado a extinção do Ministério da Indústria, responsável por 21% do PIB brasileiro, além de 32% dos impostos federais recolhidos. A interlocução qualificada será cada vez mais importante.

Minas sempre liderou os grandes debates nacionais. Agora, mais do que apenas debater, temos a oportunidade de liderar pelo exemplo. Um exemplo de seriedade, trabalho e união e que nos faça retomar o desenvolvimento econômico. O desafio está posto e é urgente. Vamos a ele!

Fonte: O Tempo

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