Audiência pública sobre situação do Ipsemg revela descaso do governo

Servidores do Ipsemg e representantes de sindicatos anunciaram greve a partir desta sexta

O caos criado pelo governo de Fernando Pimentel no Instituto de Previdencia dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg) parece estar longe do fim. Foi o que ficou claro durante audiência pública da Comissão de Trabalho da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizada nesta quarta-feira (21/02). Com falta de pessoal e insumos, condições precárias de trabalho, suspensão de atendimentos em hospitais e uma fila de espera por cirurgias eletivas com mais de 7 mil pessoas, o governo não apresenta respostas, tenta empurrar a responsabilidade e não dialoga. Para aumentar a cobrança, a categoria entra em greve por tempo indeterminado a partir desta sexta (23/02).

O início da greve foi anunciado pela presidente do Sindicato dos Servidores do Ipsemg (Sisipsemg), Maria Abadia de Souza. Será mantida a escala mínima de 30%, prevista em lei. “O Ipsemg foi construído pelos servidores, para os servidores. Não foi um ou outro governo. O que queremos é o básico. Nossos salários, respeito, atendimento para os usuários – que têm a contribuição descontada de seus salários e precisam do serviço. Nunca vi um governo tratar servidores da maneira que esse governo trata”, destacou.

Durante a audiência, os representantes enviados pelo governo se preocupavam mais em tentar empurrar a culpa pela situação para governos passados e muito pouco em apresentar respostas e soluções. O presidente do Ipsemg Hugo Vocurca Teixeira chegou a tentar desmentir os servidores e sindicalistas presentes, afirmando que não havia interrupção de atendimentos aos credenciados do Ipsemg no Hospital Luxemburgo, em Belo Horizonte e na Santa Casa de Montes Claros. Em contato com sindicalistas e deputados de oposição presentes na reunião, os diretores dos hospitais citados desmentiram a informação e confirmaram a lamentável interrupção dos atendimentos.

Os representantes do governo também não apresentaram respostas para a fila de espera por cirurgias, falta de materiais básicos, o baixo número de profissionais da área médica ou sobre o ambiente insalubre de hospitais. Também não foi apresentada solução para o calote nos repasses a hospitais e clínicas credenciadas, que levaram à paralisação dos atendimentos. E não há previsão de retorno do Cartão Medicamento, também suspenso por falta de pagamento. O governo petista herdou o instituto com uma situação financeira saudável, segundo declarações dadas pelo próprio presidente do órgão em 2015.

Em meio ao caos, o governo só não deixa de descontar os valores da contribuição dos servidores (3,2% do salário) e a coparticipação. “Além de terem a prestação de serviços cada vez mais sucateada, os servidores vêem essa contribuição ir para o buraco negro do caixa único do estado. Nem explicações sobre a utilização desse dinheiro pelo estado estão sendo feitas, não dá pra saber sequer se o governo está pagando a contribuição patronal”, criticou o deputado Bonifácio Mourão.

Na audiência o deputado Carlos Pimenta destacou o descaso do governo. “Quem deveria estar aqui hoje, ouvindo os servidores e apresentando respostas era o próprio governador ou um de seus super secretários. As decisões em Minas parecem estar sendo feitas apenas pelas canetas dos secretários de Governo, Planejamento e Fazenda. Então eles deveriam estar aqui hoje, prestando esclarecimentos mais que necessários. Não vamos aceitar que os servidores e usuários do Ipsemg sejam tratados como cidadãos de segunda categoria”

Nova audiência pública

Na próxima terça-feira (27/02), os membros da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa vão visitar o Hospital Governador Israel Pinheiro, em Belo Horizonte. Os parlamentares querem verificar in loco os impactos da falta de investimentos e recursos para custeio por parte do governo petista. No dia seguinte (28/02), a Comissão vai promover uma nova audiência pública. A visita e a audiência foram aprovadas nesta quarta-feira (21/02), a partir de requerimento dos deputados de oposição.

Para o deputado Dalmo Ribeiro, as reuniões e discussões sobre a situação do Ipsemg devem continuar até que alguma atitude concreta seja tomada. “Servidores e usuários estão sendo prejudicados em todas as regiões, pela falta de opções de hospitais e atendimento cortado também em clínicas. O usuário do interior sofre até mais. Mesmo para perícias médicas obrigatórias, têm que se deslocar para outras cidades. Lamentável”, afirmou.

Assessoria de Comunicação
Bloco Verdade e Coerência – ALMG

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *