Bases de segurança ficarão fechadas quatro horas por noite

Batalhões e 190 vão fazer atendimento das 2h às 6h, horário em que equipamentos não vão funcionar

As bases de segurança que substituirão algumas companhias da Polícia Militar (PM) em Belo Horizonte ficarão fechadas todos os dias entre 2h e 6h. As companhias que existem hoje funcionam 24 horas e esse intervalo sem policiamento é uma das preocupações dos moradores que serão afetados pela mudança. “O que vamos fazer quando um crime acontecer de madrugada? Ficaremos inseguros”, questionou o empresário do Padre Eustáquio Romulo Patrício Teixeira Pimenta, 40.

O major Flávio Santiago, chefe da Sala de Imprensa da PM, diz que a população não ficará desprotegida, já que as viaturas e o 190 continuarão funcionando 24 horas. Ele confirmou que o comando estuda o encerramento de 11 unidades. O número equivale a quase metade das 24 companhias existentes na capital mineira. Cada uma será trocada por quatro ou cinco bases móveis, que funcionarão com quatro militares por turno, sendo dois dentro do veículo e dois em patrulhamento externo. Hoje, cada companhia tem cerca de cem policiais. Não haverá mudanças nas unidades especializadas.

Nessa sexta-feira (23), em reunião com os moradores da região Noroeste, o tenente-coronel Marcos Ângelo Vieira Junior confirmou o encerramento da 9ª e da 21ª Companhias do 34º Batalhão – a informação já havia sido adiantada com exclusividade por O TEMPO. O empresário Romulo Pimenta saiu da reunião sem convicção de que a mudança seja positiva. “O governador quer cortar gastos e empurrar goela abaixo como se fosse uma benfeitoria. Mas vamos nos mobilizar”, garantiu.

O tenente-coronel informou que o encerramento de atividades em companhias não é uma exclusividade do 34º Batalhão. “Todos os batalhões terão o recolhimento de uma ou duas companhias”, disse durante o encontro com os moradores e políticos da região. No primeiro batalhão, por exemplo, a 3ª e a 5ª, ambas na região Centro-Sul, devem fechar as portas. O tenente-coronel revelou ainda que outra unidade da PM deve ocupar o prédio da 9ª companhia, mas não soube especificar qual.

Ele garantiu que os policiais que já tem uma relação com a comunidade continuarão disponíveis para estabelecer essa ponte entre comunidade e corporação. As reuniões, que antes aconteciam nas companhias, podem ser realizadas na sede do batalhão.

O major Flávio Santiago considera que a mudança significa um crescimento no policiamento. “Não é um processo de perda, uma estrutura predial (companhia) precisa de 15 ou 20 policiais para realizar a manutenção”, explica. Ele diz que o processo vai colocar mais policiais nas ruas, já que os militares que fazem trabalhos administrativos vão para o patrulhamento.

Estrutura expõe PMs, diz deputado
A estrutura das bases móveis, com dois policiais no carro e dois na rua, expõe os militares a uma constante vulnerabilidade, além de aumentar o tempo de resposta durante as ocorrências. A avaliação é do deputado estadual Sargento Rodrigues (PDT). Ainda segundo ele, a substituição das companhias por bases móveis limita a ação dos policiais na comunidade, impondo um distanciamento entre a polícia e a população. “A comunidade vai perder uma estrutura certa (a companhia), que já atendia a população, que fazia todo seu papel como polícia comunitária. Essa base só melhoraria se fosse um acréscimo à companhia. Da forma como eles estão colocando, o policiamento dos bairros será comprometido, e a população vai sentir imediatamente o impacto”, avalia.

Ele classifica a mudança como infundada e prejudicial à população. Para ele, a adoção das bases móveis ocorrerá apenas por motivo de economia do Estado.

Fonte: O Tempo

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