Café com Política com Gustavo Corrêa – “Projeto dos fundos imobiliários é ‘inconstitucional’ e ‘irresponsável’”

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O governo Pimentel tem conseguido aprovar com facilidade projetos na Assembleia. Falta combatividade à oposição?

Não, pelo contrário. A oposição tem-se manifestado contrariamente aos projetos que não são bons para Minas. Ocorre que o governador vem utilizando-se de mecanismos, pressionando parlamentares, sobretudo os do chamado “bloco independente”, que, até hoje (ontem) não votou um projeto sequer contrário ao governo. O bloco independente é muito mais governista que o bloco dos deputados que estão ao lado do governador. Mas a oposição tem feito seu trabalho, tem buscado mostrar aos mineiros os equívocos e os erros que vêm sendo cometidos por este governo, e, infelizmente, não temos tido vitórias do ponto de vista numérico nos projetos. Mas quero fazer um parêntese: grande parte, ou quase a totalidade dos projetos que o governador encaminhou à Assembleia, não foi aprovada da forma como chegou. Sempre sofreram uma série de emendas, e grande parte delas é emenda que foi apresentada pela oposição. Só que o governo, para não dar o mérito aos deputados de oposição, só aceita as mesmas emendas se forem de autoria dos deputados da base.

Alguns parlamentares criticaram o fato de colegas votarem projetos, como o dos fundos imobiliários, sem saber o que estavam votando. O senhor foi um desses que não conseguiram entender o que o governo quer com essa proposta?

O governo encaminhou esse projeto dos fundos à Assembleia, um projeto inconstitucional, totalmente irresponsável. Eu me preparei, estudei durante meses e quero deixar claro que nem o governo ainda conseguiu entender. Numa linguagem bem popular: o governo está vendendo algo que é dele e vai pagar aluguel para ele mesmo. O governo, no primeiro momento, falava que iria captar R$ 4 bilhões, agora já caiu para R$ 1,5 bilhão, R$ 2 bilhões, que é, literalmente, apenas para pagar a folha dos servidores em 2017. Esse fundo é apenas para isso. Acho que mais da metade dos deputados votou esse fundo sem saber o que estava votando porque o governo não conseguiu explicar para eles como é a operação.

O governo atual sempre diz que a Cidade Administrativa é deficitária, que há gastos excessivos. Quando ela foi construída, o senhor era situação na gestão tucana ainda do governador Aécio Neves. A Cidade Administrativa deu errado?

Não, pelo contrário. Os prefeitos que vêm do interior adoram porque conseguem resolver todas as demandas em apenas um dia. Estamos com dois anos e meio, quase três anos de governo, e o governador não fez nada, a não ser procurar se defender e atacar as gestões passadas. Pergunto ao governador: por que não fez os cortes necessários? Por que aumentou o número de secretarias de Estado em vez de diminuí-las? Quer dizer, antes, tínhamos 19 secretarias e hoje temos 25, sendo que seis ou sete são ocupadas por deputados. Aí ele chama (o deputado) para virar secretário, puxa o suplente e o pressiona a votar com ele.

Mas essa mesma estratégia de puxar deputado para virar secretário sempre foi usada, inclusive nos governos tucanos.

Não da forma como é hoje. Eu, por exemplo, fui prejudicado dessa mesma forma. Eu era suplente, fiquei os dois primeiros anos do governo Aécio, e ele não chamou nenhum deputado da coligação para que eu fosse efetivado. Pimentel, que é da coligação PT-PMDB, chamou cinco deputados, fora outros partidos.

Acredita que o DEM conseguirá ocupar o espaço de centro-direita deixado pelo desgaste do PSDB e do PMDB?

Como dizia Magalhães Pinto, a política é igual nuvem. O ex-presidente Lula dizia que seu desejo era liquidar e extinguir o DEM. Há alguns anos, vínhamos diminuindo a quantidade de parlamentares, mas nunca perdemos nossas convicções e ideologias, sobretudo de centro-direita. Acho que o PSDB, assim como o PT, enfrenta grande desgaste em sua imagem, ambos envolvidos em denúncias de corrupção. A gente não vê parlamentares do DEM citados na operação Lava Jato. O DEM será, sem dúvida, nas eleições de 2018, o partido de centro-direita que muitos brasileiros esperam.

Denúncias contra o senador Aécio Neves (PSDB), sempre muito ligado ao DEM, terem estourado enfraqueceu o partido em Minas?

Não. Acho que todos devem ter o direito de se defender, que as investigações devem seguir para todos. Tenho certeza de que o senador Aécio terá a oportunidade de se defender. E, em relação ao DEM, acho que cada um é independente. Podemos dizer que fazíamos parte de um grande grupo político e não era só o DEM, tinha o PTB, o PP e outros tantos partidos que sempre compuseram esse grupo político que governou Minas por 12 anos. Alguns colegas parlamentares fazem exatamente críticas ao que ocorreu com o senador Aécio nos últimos tempos, mas posso aqui falar, de forma muito tranquila, que aquele cidadão que mora em Formoso, que é a cidade mais distante da capital Belo Horizonte, – são 800 quilômetros –, hoje essa cidade é ligada por asfalto, e isso é graças ao senador Aécio Neves, ao governador Antonio Anastasia, ao governador Alberto (Pinto Coelho). Todos temos telefone celular, todos temos Farmácias de Minas, quer dizer, é claro que alguns equívocos foram cometidos, erros foram feitos, mas houve avanços.

No dia 2 ocorrerá a análise da denúncia contra o presidente Michel Temer na Câmara Federal, e, se essa denúncia passar, Rodrigo Maia, que é do partido do senhor, pode vir a ocupar a Presidência. Qual a expectativa do DEM se isso acontecer?

Sou bem prudente, como devemos ser nesse momento. Penso que o presidente Temer terá os votos necessários para permanecer no cargo e prefiro não me manifestar. Acho que o DEM sempre foi leal a Temer, desde que ele assumiu.

Mas o senhor não considera essas denúncias contra o presidente graves e que mereciam investigação mais aprofundada?

Confio na Justiça, acho que os parlamentares devem votar de acordo com sua consciência. O presidente, se for culpado, deve pagar por isso. Sempre defendi e continuarei defendendo as investigações. Afirmo sempre que quem não deve não teme, e falo isso até para o próprio governador Pimentel, que tentou também, e tem conseguido, se blindar de possíveis investigações.

Essa espera pela denúncia coloca em stand-by a forma como os partidos pretendem organizar-se para colocar suas candidaturas no próximo ano?

Devemos esperar os desdobramentos para ver o que ocorrerá nos próximos meses, até para que os partidos possam se posicionar melhor. Acredito que PT e PSDB estão com imagem bem desgastada e acho que os candidatos das duas bandeiras terão dificuldades de levar seus nomes junto aos eleitores.

O DEM pensa em lançar candidato a governador?

Acho que o DEM nunca teve uma oportunidade tão grande de retomar o seu crescimento. Nós apoiamos o PSDB nas últimas três ou quatro eleições. Eu acho que está na hora de o PSDB reconhecer agora essa lealdade que o DEM sempre teve. Teremos aí uma janela eleitoral que, possivelmente, permitirá que tenhamos novos nomes no partido. Então, podemos trazer aí alguns candidatos, sobretudo em função dessa necessidade de se ter um partido com as ideias de centro-direita mais firmes.

No plano nacional, o que esperar do DEM?

Temos um excepcional nome para disputar uma eleição presidencial, que seria o senador Ronaldo Caiado (GO). Temos também o prefeito de Salvador, o ex-deputado ACM Neto, que tem uma gestão moderna, excepcional na cidade.

Caso o DEM não lance uma candidatura própria com esses nomes, que já estão colocados, qual seria uma boa aposta nas eleições?

Buscar alguém novo.

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