Deputados e produtores debatem crise do setor leiteiro na ALMG

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Minas Gerais é a principal bacia leiteira do país e a falta de incentivos tem levado produtores a desistirem do setor

A Comissão de Agropecuária e Agroindustria da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) se reuniu nessa quinta-feira (26/10) para debater os graves problemas enfrentados pelos produtores de leite de Minas Gerais e de todo o Brasil. Com a falta de estímulos aos produtores nacionais e abertura de importações, principalmente do Uruguai, muitos produtores começam a abandonar o setor.

Para o deputado Antonio Carlos Arantes, presidente da comissão e um dos solicitantes da reunião, a situação é ainda mais grave para Minas Gerais. “Minas está sendo prejudicada pelas importações do leite da mesma forma que o resto do país. A diferença é que nenhum outro estado depende tanto da economia leiteira quanto Minas. A suspensão temporária da importação, principalmente do Uruguai, acontece para que seja feito um estudo e esse estudo precisa ser feito de forma séria para que fique claro os impactos de qualidade e para a economia dessa importação. Minas não está parada e vai seguir pressionando. Produzimos leite de qualidade que merece estímulos e respeito para ter competitividade”, reforçou.

A audiência reuniu produtores de leite de todo o estado que destacaram que a importação do leite vem criando um ambiente de competitividade desleal no setor. Faltam incentivos para a exportação e os custos da produção continuam a subir enquanto os preços pagos pelo leite só caem.

A assessora da diretoria do Sindicato e da Organização das Cooperativas de Minas Gerais (Ocemg), Isabela Chenna Perez, que representou o presidente Ronaldo Scucato na audiência pública, reforçou a ideia de que os produtores precisam de melhores condições para trabalhar. “O produtor rural vem se reinventando. Demite gente, reformula seus gastos e faz o que for preciso para simplesmente continuar trabalhando. E o governo? Quando vai começar a se reinventar, criar, pensar nesse produtor que movimenta a economia do estado? Quando o governo vai agir em prol dos produtores de leite?”, disse.

Entre os principais pontos destacados pelos produtores estão aumentos nos custos com ração, medicamentos, energia elétrica e combustíveis. Além disso, faltam políticas públicas voltadas para o setor por parte dos governos federal e estadual. Demandas como redução de juros bancários, prorrogação de dívidas, melhoramento genético do rebanho, seguro rural e profissionalização do gerenciamento da propriedade rural são antigas, mas permanecem na pauta dos produtores.

O Brasil está na 5ª posição no ranking mundial de produção leiteira. Minas Gerais é a principal bacia leiteira do país, respondendo por 27,5% do total produzido no Brasil. A presença de 233 mil fazendas leiteiras e mais de 1.000 indústrias de laticínios garantem ao Estado a 12ª colocação no ranking mundial da produção leiteira. “O Estado deveria valorizar o produtor em função da grande contribuição que ele dá para a economia mineira e brasileira. Os produtores merecem mais respeito”, afirmou Arantes.

Além de Arantes, participaram da audiência os deputados do Bloco Verdade e Coerência João Leite, Dalmo Ribeiro Silva, Bonifácio Mourão e Luiz Humberto Carneiro

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