Desespero bate à porta

Gustavo Corrêa
Deputado estadual (DEM) e líder do bloco de oposição Verdade e Coerência

Muito me espanta a cara de pau dos aliados do governador Fernando Pimentel em criar artifícios para encobrir o desgoverno que se instaurou em Minas. Desde 2015, estamos vendo o Estado ser esfacelado. Áreas importantes como a saúde e segurança estão completamente sucateadas. Sem contar o calote, que é geral! O governador não paga as prefeituras, não paga os servidores, não paga fornecedores… e a pergunta que não quer calar é: para onde está indo esse dinheiro se, até hoje, não foi realizado um só investimento que fosse relevante para o Estado?

Aí vem o líder do governo nesta Casa defender o indefensável. Em artigo publicado no jornal O Tempo, nesta quinta-feira (15/03), ele acusa a oposição de desespero. Ora, desespero é o que estamos vendo acontecer aqui na Assembleia por parte deste governo. Desespero é querer aprovar a toque de caixa um projeto para desmembrar a Codemig e vender o seu ativo mais valioso, que é a extração do nióbio. Desespero é forçar uma tramitação repleta de vícios, contrariando o regimento desta Casa e a Constituição Federal. Desespero é usar manobras para enganar a população e a opinião pública.

Engraçado que foi esse mesmo desespero que vimos tomar conta dos petistas, em 2015, quando passaram a mão em cerca de R$ 5 bilhões dos depósitos judiciais. O mesmo de quem aumentou o imposto de mais de 150 produtos, por meio de um decreto que pegou o cidadão mineiro de surpresa; o desespero de quem, agora em 2018, elevou o ICMS da gasolina por duas vezes em um mês. E por falar em desespero, não seria o mesmo que levou o governo a criar um fundo imobiliário para vender imóveis públicos que pertencem ao Estado?

Nunca dissemos ser contrários ao processo de privatização. Pelo contrário, somos a favor das parcerias com a iniciativa privada para dar mais autonomia e dinamismo ao governo. O que nos preocupa é a forma atabalhoada como o governo está conduzindo o processo de cisão e venda da Codemig, sem diálogo, sem transparência e com uma pressa, em ano eleitoral, que chega a ser assustadora.

A divisão e a venda de parte da Codemig têm uma clara finalidade: o governo precisa fazer caixa para pagar suas despesas. Não precisa ser vidente para saber como esse dinheiro será usado. O governo vai pagar a previdência, que é o que permite a Lei de Responsabilidade Fiscal, e o dinheiro que hoje é usado para a previdência certamente será destinado para pagar folha de pessoal. Para isso, insiste em abrir mão de mais de R$ 300 milhões anuais advindos do nióbio, na expectativa de torrar R$ 6 bilhões.

Não vamos permitir que, para bancar a gastança com cargos e salários para aliados, Pimentel se desfaça, sem qualquer critério, do patrimônio dos mineiros. Não somos nós da oposição que mudamos o discurso. É o PT que insiste no mantra de buscar culpados para sua total incapacidade de gestão em Minas.

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