Empresários e políticos mineiros já especulam sobre queda de Pimentel, afirma reportagem do jornal Valor Econômico

O possível afastamento do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), ganhou ainda mais força após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) homologar a delação premiada do empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, conhecido como Bené. Considerado o operador do esquema de pagamento de propina realizado na época em que Pimentel era ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (durante o primeiro mandato de Dilma Rousseff), Bené disse aos investigadores da Operação Acrônimo que o petista recebeu R$ 20 milhões para beneficiar o Grupo Caoa, representante da Hyundai no Brasil.

Como destaca matéria publicada pelo jornal Valor Econômico nesta segunda-feira (30/5), a situação do governador petista já é discutida por empresários e políticos mineiros, que acreditam que os indícios apontam para um provável afastamento de Pimentel. Líder da minoria na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o deputado estadual Gustavo Valadares (PSDB) vê como “irreversível” a saída do petista. Para o tucano, a delação de Bené apenas ratifica o que já se sabia sobre o envolvimento de Pimentel no esquema.

“Se quisermos moralizar a política, para ver mais respeitabilidade ao nosso meio, é imprescindível que o governador seja afastado. A delação do empresário Bené, braço direito de Pimentel nos maus feitos, ocorre de uma maneira até diferente das demais delações, porque ela vem apenas para confirmar aquilo que as provas colhidas pela Polícia Federal, ao longo da Operação Acrônimo, já tinham deixado claro: que Pimentel foi chefe de uma organização criminosa e que se utilizou do Ministério do Desenvolvimento Econômico para fazer dinheiro, em benefício próprio e para as campanhas do Partido dos Trabalhadores”, destacou o parlamentar tucano em entrevista ao Valor Econômico.

Rombo econômico

A difícil situação econômica enfrentada pelo estado também é motivo de preocupação em Minas. De acordo com a reportagem do Valor, o déficit orçamentário previsto pela gestão petista em 2016 chega a R$ 8,9 bilhões. Para a oposição, entretanto, esse número deve ser ainda maior, ultrapassando a marca de R$ 12 bilhões. Em ambos os casos, o rombo marcará a segunda vez consecutiva em que o governo Pimentel encerrará o ano com suas contas no vermelho.

“Pimentel tem, por razões óbvias, se preocupado apenas em sua defesa pessoal – dele e de sua esposa -, e não em tentar tirar Minas da gravíssima crise econômica em que se encontra”, analisou Valadares, citando algumas ações que deveriam ser tomadas pelo governo para recuperar a saúde financeira do estado.

“Devia ter um núcleo de inteligência pensando soluções e maneiras de incentivar o empresariado mineiro, em fomentar a distribuição de renda e, obviamente, a geração de empregos. Mas ele está completamente perdido, preocupado apenas com a sua questão pessoal. Não governa, não aparece em eventos e, quando aparece, aparece de forma muito rápida, com falas muito breves. Enfim, é uma vergonha”, completou.

Reforma administrativa

O líder da Minoria também criticou a proposta de reforma administrativa encaminhada por Pimentel aos deputados mineiros. Valadares ressaltou que as medidas não são apoiadas sequer pela base do petista e que um projeto de tamanha relevância para a gestão estadual não deveria ser votado durante os prováveis últimos dias da administração do petista.

“O mais grave disso tudo é você discutir e tentar aprovar uma proposta de reforma administrativa de um governador que está com vistas de ser afastado. Nos próximos dias, nós teremos um governador que será afastado pela justiça, inegavelmente, e que quer propor uma reforma profunda na estrutura do estado. Nós da oposição temos colocado que ele não tem autoridade moral para propor, nesse momento, qualquer tipo de reforma, até porque não deverá estar à frente do governo nos próximos meses”, avaliou o deputado.

Fernando Pimentel será afastado de seu cargo caso o STJ aceite a denúncia com as irregularidades apontadas pela Operação Acrônimo, o que deve acontecer nas próximas semanas. Com a saída do petista, o estado passaria a ser governado pelo vice-governador, Antônio Andrade (PMDB).

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