Falta de medicamentos compromete tratamento de pacientes em BH

acientes estão com dificuldades para encontrar alguns medicamentos distribuídos de graça pelo estado pela Farmácia de Minas. Segundo eles, a busca é constante, mas nem sempre a reposta é positiva e a falta de prazo para o recebimento dos remédios é motivo de muita angústia.Um telespectador registrou a fila de pacientes que buscam remédios na Farmácia de Minas. A imagem é bem conhecida por quem depende dos medicamentos oferecidos de graça pelo governo. Na manhã desta quarta-feira (22), mais de 100 pessoas que acordaram cedo fizeram fila, esperaram por horas, na expectativa de conseguir pegar os remédios aos quais têm direito.

O Thiago, filho da Dona Edvania, toma vários remédios para o tratamento da esquizofrenia. A clozapina eles pegam na Farmácia de Minas, mas é sempre uma tensão até saber se vai ter.“Não sei se desta vez eu vou conseguir. Já teve vez de a gente ficar três, quatro meses sem conseguir pegar e ter que comprar”, disse a cabelereira Edvânia Carvalho Silva. E esse não é o único problema de saúde na família. “A minha família toma medicamente que é caro, R$ 350. Eu estou movendo um processo para tentar pegar este medicamento que ela toma três caixas por mês e que fica em torno de R$ 1,4 mil por mês”, contou.Mãe e filho foram atendidos e nesta quarta o medicamento do Thiago estava garantido. Mas eles vão encarar ainda a fila da Defensoria Pública para abrir o processo para retirar o micofenolato mofetila de 500 miligramas para a sobrinha que tem problema nos rins.

A cuidadora de idosos Marinéia de Oliveira tem dois filhos transplantados que precisam tomar os remédios tracolimo e micofenolato, mas ela também tem enfrentado dificuldades, porque nem sempre encontra os medicamentos.“Meu filho chegou a ficar sem remédio. Veio cá, não tinha remédio. Voltou, emendaram o feriado e não teve remédio mesmo”, contou. A técnica de enfermagem Elisângela Neves voltou pra casa de mãos vazias. O medicamento para a filha de oito anos, que tem anemia falciforme, está em falta há oito meses. “Não achei hidroxiureia para minha filha. Disse que está em falta. Não sabe quando chega”, disse. Ligar para saber se o medicamento está disponível foi a orientação que a dona de casa Greice Pimenta recebeu em julho. E desde então ela faz isso todos os dias. A dona de casa retirou dois tumores na cabeça, nos últimos sete anos. Desde então, ela depende de vários remédios, entre eles a somatrofina, que custa em torno de R$ 300 a caixa. E ela usa oito por mês, ou seja, uma despesa de R$ 2,4 mil só com esse medicamento. “Não tem o que fazer, fica sem. E sem chance de comprar”, afirma. Enquanto isso ela guarda as receitas e as injeções, à espera do medicamento que não tem data para chegar. “É um descaso, porque é um compromisso que eles tinham com a população, porque ali é uma farmácia só de medicamento de alto custo. Quem vai ali, vai porque realmente precisa. E vai buscar um medicamento e não tem, é uma situação complicada”, disse.

A Secretaria Estadual de Saúde afirmou que os medicamentos micofenolato mofetila de 500 miligramas e o tracolimo, solicitados pelos pacientes, não estão em falta. Sobre o medicamento hidroxiureia, a secretaria disse que tem tido problemas para conseguir o remédio e que participou de um processo de compra em conjunto com outro estado, que está em fase final.

Já sobre a somatrofina, a secretaria informou que houve atraso na entrega pelo fornecedor e que não conseguiu uma nova compra, por isso continua tentando adquirir o medicamento e um novo planejamento está em andamento. A secretaria disse ainda que está tomando todas as providências para resolver a falta dos medicamentos, reconhecendo que eles são de extrema importância para a população.

Fonte: G1

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