“Governador Valadares e todo o Vale do Rio Doce vivem sob o descaso de seus governantes”

Em seu sexto mandato como deputado estadual, Bonifácio Mourão (PSDB) foi relator da Constituição Mineira de 1989 e já foi prefeito de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce.
Para ele, a atual gestão tem dificultado – e muito – o desenvolvimento desta região. Atrasos nas obras de duplicação da BR-381 e do hospital regional de Governador Valadares são apenas algumas das dificuldades, fruto de uma desastrosa gestão petista na União, no Estado e, no caso de Valadares, também no poder público municipal.

Atuando em defesa desta região na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Mourão conversou com o Minas de Verdade sobre os desafios que Governador Valadares, e todo o Vale do Rio Doce, tem pela frente.

Quais os principais problemas enfrentados pela região atualmente?

O Vale do Rio Doce precisa de atenção de seus governantes. Acima de tudo, a região precisa ser valorizada pela importância que tem para o estado. Governador Valadares, maior cidade da região, atingiu um ponto crítico de descaso, que prejudica a economia, a qualidade de vida de seus cidadãos e a credibilidade da região como um todo. O descaso representa falta de investimentos, atrasos em obras, falta de transparência, falta de estímulos e consequentemente, de desenvolvimento. Governador Valadares está abandonada, vítima do descaso e da incompetência de gestão do PT.

Em um cenário como este apresentado pelo senhor, é quase impossível não pensar na questão da BR-381, uma das reivindicações mais antigas da região.

Depois de uma década de promessas não cumpridas, a presidente Dilma Rousseff finalmente anunciou o início das obras e que elas durariam 3 anos. Anunciou isso como se fosse o sonho da região sendo realizado. Mas a realidade foi muito diferente. O trecho entre Governador Valadares e Belo Oriente, essencial para a região, sequer foi licitado. Foi anunciada a duplicação de Belo Horizonte a Governador Valadares, enquanto nos projetos e contratos são assinaladas apenas “melhorias” para este trecho. Se não bastasse isto, hoje quem passa pela BR consegue ver que as obras estão praticamente paralisadas, de oito trechos, consegue-se ver obras acontecendo em apenas um. A sensação é a de que o início das obras aconteceu “pra inglês ver”, pra chamar a atenção e acalmar ânimos quando era conveniente, pra divulgar em material publicitário e ajudar a melhorar a imagem do governo. E agora, mais da metade do prazo de conclusão anunciado pela presidente já se passou e a rodovia da morte segue tirando vidas e dificultando a ligação da região com o resto do Estado.

A economia da região também sofre com isso, certo?

Muito! Para se instalar em um local, uma indústria leva em consideração diversos fatores. Como vai escoar as produção e como vai trazer matérias primas é um fator essencial. As BRs que ligam o leste mineiro o resto do país são sofríveis e o governo federal age como se o problema não fosse dele. E o governo estadual não ajuda com estímulos à indústria e a região se vê em um limbo de esquecimento.

Uma conquista aguardada pela região e que tem-se ouvido falar muito pouco ultimamente é o Hospital Regional, a última previsão do governo do estado seria a de conclusão para dezembro de 2016. O senhor tem acompanhado essa questão?

Uma das maiores dificuldades da atual gestão do governo de estado é a dificuldade para acompanhar esta obra. Apesar da previsão de conclusão dada pelo governo, não conseguimos confirmação disto. As obras foram paralisadas no início de 2015 sob a justificativa de não aprovação da Lei Orçamentária, mesmo depois de aprovado o orçamento, o reínicio de obras não foi imediato conforme prometido. E no orçamento de 2016, o valor previsto para a implantação das unidades no interior caiu mais da metade. Na peça de 2015 estavam programados R$ 347,5 milhões, para 2016 foram previstos R$ 150 milhões. Uma queda de 130%. A rubrica de Manutenção dos Hospitais Regionais também sumiu do orçamento. O que vemos são dificuldades em conseguir esta gestão notícias sobre o andamento das obras, sobre a conclusão e entrega das obras. A insegurança a respeito de algo tão importante é enorme. A população de Valadares e cidades vizinhas precisa muito deste hospital e merece transparência por parte dos governantes.

Na prefeitura municipal de Governador Valadares o problema da transparência também parece persistir. Qual foi a reação do senhor, que já foi prefeito da cidade, diante das ações deflagradas pela Operação Mar de Lama da Polícia Federal?

É constrangedor o que acontece atualmente em todos os âmbitos da gestão do PT. Lamentável ver o que a Operação Mar de Lama revelou negociatas dentro da prefeitura. A fraude apurada seria de cerca de R$1.500.000.000,00. A ação revela e busca desmantelar uma organização criminosa instalada na prefeitura de Valadares e no Saae, envolvendo agentes públicos do alto escalão da administração pública do município. É preciso entendermos que foi afastada a espinha dorsal da prefeitura de Governador Valadares; foram afastados da administração pública, de uma só vez, o secretário de Administração, o secretário de Obras, o secretário de Serviços Urbanos e o procurador-geral, além de treze vereadores. Os escândalos de corrupção estão tomando conta também do governo federal e estadual e o maior prejudicado é sempre o cidadão. Como deputado de oposição, tudo isso só reforça a necessidade de um trabalho vigilante e constante.

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