Governo do PT ignora fila na ortopedia e fecha o Galba Ortopédico

Durante audiência, deputados cobram propostas de readequação para evitar fim da unidade, enquanto representante do governo confirma intenção de fechar as portas

Em audiência pública realizada pelas Comissões de Saúde e Administração Pública na manhã dessa quinta-feira (10/08), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), ficou claro para os parlamentares presentes que o fechamento da unidade ortopédica do Hospital Galba Veloso é uma escolha da gestão do governo de Fernando Pimentel, do PT. A medida está sendo muito criticada, já que manter a unidade aberta evitaria um maior sucateamento e superlotação da saúde pública do estado.

Para o deputado Antônio Jorge (PPS) as justificativas do governo para o fechamento são balelas. “Falam que os pacientes do Galba Ortopédico serão realocados. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) há cinco mil pacientes na fila a espera de tratamento ortopédico. O Galba realiza quatro mil cirurgias por ano. Então, como realocar? O que queremos é diligência para a garantia da manutenção desses leitos. Queremos a obra, a reforma e a reabertura dos leitos na unidade”, afirmou.

Representando o secretário de Saúde na audiência, o presidente da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig), Tarcísio Neiva, confirmou o fechamento. Segundo ele, o posicionamento do governo é que não há recursos e a unidade será fechada em pelo menos 6 meses.

Durante a reunião, a Promotora de Justiça de Defesa da Saúde de Belo Horizonte, Josely Ramos Pontes, afirmou que o Estado não cumpre a ordem judicial da regularização da destinação dos recursos da saúde. Segundo ela, “o desejo deste Governo é destinar o recurso da saúde para outras áreas”.

Presidente da Comissão de Saúde, o deputado Carlos Pimenta (PDT) afirmou que mesmo com a declaração, por parte do governo de que a unidade será fechada, a Comissão seguirá lutando por soluções. Ele lembrou que toda a estrutura física dos hospitais da Fhemig encontra-se deficiente. “Vamos insistir com o Governador e com o Secretário para que apresentem uma proposta de readequação. Temos que encontrar uma solução, senão isto será só o início do fechamento de várias unidades da Fhemig”, disse.

Braços cruzados

No ano passado, a Fhemig ganhou prazo de 12 meses para realizar melhorias e corrigir problemas apontados pela Vigilância Sanitária, mas ficou de braços cruzados. O prazo venceu em janeiro deste ano, sem que os investimentos fossem realizados. Em acordo com o MP, a Fhemig ganhou mais seis meses mas não fez as intervenções necessárias.

A unidade, que fica no bairro Gameleira, funciona há 17 anos como ala ortopédica do Hospital de Pronto Socorro João XXIII e realiza em média 280 cirurgias e mil atendimentos por mês.

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