Líder do MST vira secretário em Minas, mas não vai poder nomear aliados

Como adiantou o Aparte no final do ano passado, o secretário de Estado de Desenvolvimento Agrário, Neivaldo Lima, deixou nessa quinta-feira (1) a pasta para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais pelo PT. Mesmo sob protestos da base aliada, em seu lugar assume o ativista Alexandre de Lima Chumbinho, nome que gera divergências internas no governo.

Ligado ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), Chumbinho não mantém bom relacionamento com boa parte da base governista e com lideranças do PT. Ele ocupa, desde janeiro de 2017, o posto de secretário adjunto na pasta. Sua atuação tem gerado atritos desde o início, principalmente por conta do alto número de nomeações de pessoas ligadas ao MST feitas na secretaria.

Chumbinho encontra ainda resistência entre outros movimentos sociais que não o consideram, de fato, uma pessoa de esquerda e o criticam por não acreditarem no compromisso dele com os interesses dos sem-terra.

Segundo uma fonte ligada à questão, a nomeação de Alexandre Chumbinho é atribuída à “vontade” pessoal do secretário de Estado de Governo, Odair Cunha (PT), que também vem tendo sérios problemas de relacionamento com deputados estaduais e federais da base do governador Fernando Pimentel (PT).

Na avaliação da fonte petista, o novo secretário ganhou o cargo, mas não levou as benesses que a função lhe atribui. Isso porque o período de nomeações no Estado se encerrou no último dia 30. “Fazendo uma associação, Chumbinho ganhou o carro, mas não ganhou a chave. A situação dele é semelhante à de um adolescente que está louco para completar 18 anos para ganhar um carro de presente do pai. Quando, enfim, chega o grande dia, o pai lhe dá o presente tão esperado, mas não lhe entrega as chaves. Terá direito a algumas voltinhas quando o pai decidir. Rolezinhos o tempo todo com os amigos está fora de cogitação. Foi isso que o governo fez com Chumbinho. A janela de nomeações no Estado se fechou. Portanto, o sonho de nomear alguns aliados e exonerar possíveis desafetos na secretaria, por hora, está fora de cogitação para o novo gestor”, disse a fonte.

A ida de Alexandre Chumbinho para a secretaria de Desenvolvimento Agrário se deu por meio de articulação entre Pimentel e o líder do MST, João Pedro Stédile – que, agora, novamente, dá aval para que o aliado assuma de vez o comando integral da secretaria. Além de Stédile, Chumbinho tornou-se secretário adjunto contando com o apoio do deputado estadual Rogério Correia (PT), do deputado federal Patrus Ananias (PT) e da ex-vice-presidente do PT nacional Gleide Andrade. (Angélica Diniz)

Fonte: O Tempo

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