Lucro da Copasa despenca 91% na gestão petista

Com a deterioração de suas contas, Copasa vai demitir 1.800 empregados e consumidores vão amargar dois reajustes em 2016

Depois de promover um aparelhamento e ver seu lucro líquido despencar 91% no terceiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado, a Copasa vai demitir aproximadamente 1.800 empregados. Para isso, a concessionária lançou no último dia 6 de novembro o Programa de Desligamento Voluntário Incentivado (PDVI) dos funcionários concursados.

De acordo com informações divulgadas pela própria empresa no dia 6, o desligamento deve ter início em dezembro, para cortar cerca de R$ 200 milhões.

“Em menos de um ano é impressionante o estrago que o governo petista já conseguiu provocar em Minas. Está arrasando com o estado assim como o PT fez no Brasil. Inclusive, um dos motivos da deterioração nas contas da Copasa é o aumento estrondoso das bandeiras tarifárias da energia elétrica”, afirma o deputado João Leite (PSDB), do bloco de oposição Verdade e Coerência, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. No caso da concessionária, esse insumo ficou 61,6% mais caro, exercendo pressão negativa nas contas do órgão.

Demissões de diretores

Na quarta-feira (11/11), o deputado João Leite denunciou que a Copasa demitiu nos últimos dias quatro diretores. “Em menos de um ano, cinco diretores da concessionária na gestão caíram. Só ontem, quatro diretores foram exonerados. Um deles, o ex-diretor Técnico e de Novos Negócios, é irmão do presidente da Cemig, Mauro Borges, envolvido na operação Acrônimo. Talvez, nesse caso, o governo descobriu que era nepotismo”, afirmou o parlamentar.

Os diretores que deixaram os cargos são: Remulo Borges de Azevedo Lemos, diretor Técnico e de Novos Negócios; João Bosco Senra, diretor de Operações Sudoeste; Ronaldo Matias de Souza, diretor de Planejamento e Gestão de Empreendimento e Bruno do Carmo Filho, diretor de Meio Ambiente.

O parlamentar destacou também o crescimento de 216% no endividamento da Copasa e que recebeu informações de que os funcionários da empresa estão assustados. “Essa é a situação da Copasa no governo do PT. Os funcionários estão dizendo que a concessionária está fazendo um ‘susto’ de gestão. É racionamento de água para todo lado”, afirmou.

Conta mais cara

Em outubro, a Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e Esgotamento do Estado de Minas Gerais (Arsae-MG) atendeu pedido da Copasa e revisou o cálculo da tarifa de água para os mineiros, o que vai gerar um reajuste a mais em 2016, além do habitual reajuste anual implementado em maio último. Essa foi a primeira vez, desde que a Arsae foi criada, há seis anos, que a Copasa solicitou esse tipo de aumento.

O reajuste anual baseia-se na atualização dos custos de produção. Já a revisão tarifária autorizada pela Arsae considera metas de investimento, ampliação de serviços e impactos decorrentes de ganhos de qualidade. “A Copasa, em uma gestão desastrosa, vê seu lucro despencar e repassa a conta para o consumidor”, afirma o deputado João Leite.

Influência da família Borges Lemos

No governo federal, a família do presidente da Cemig e do ex-diretor da Copasa, demitido recentemente, adotou a mesma prática. Outro irmão, Maurício Borges Lemos, ocupou cargo de diretoria no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e foi também presidente da Apex-Brasil durante o governo PT. Antes de ser conduzido pelo governador Fernando Pimentel ao cargo de presidente da Cemig, Mauro Borges foi presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e sucedeu o governador mineiro no Ministério de Desenvolvimento da Indústria e Comércio.

A nomeação dos irmãos Mauro e Maurício aos cargos de presidentes da ABDI e da Apex-Brasil, respectivamente, ambas vinculadas ao Ministério do Desenvolvimento, então ocupado por Pimentel, foi feita no mesmo dia.

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