Mais fácil culpar São Pedro

É inaceitável usar as condições climáticas para justificar a terrível falta d’água que aflige Minas Gerais. Que as chuvas estão mais escassas, é fato. Assim como é fato que, mesmo sendo esse um fenômeno climático previsível, a Copasa ficou de braços cruzados. Não fez os investimentos necessários para garantir a entrega de água potável.

A incompetência da estatal na gestão petista ficou evidente nas críticas de gestores municipais. Recentemente, mais de 300 prefeitos e vereadores lotaram a Assembleia Legislativa para participar da audiência pública promovida pela Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte, a qual presido, e debater o desabastecimento de água. O encontro durou mais de sete horas e foi marcado por denúncias e queixas. Estimativas apontam que dois em cada 10 mineiros enfrentam dificuldades para ter água em casa.

Na falta de investimentos em reservatórios e captação de água, o uso de caminhão-pipa é frequente. E alguns prefeitos estão recorrendo à Justiça para garantir a entrega de água potável. Eles ameaçam romper os contratos, citando a estatal como a maior poluidora do Estado.

E a Copasa foge do debate. Em desrespeito com o Legislativo e com os prefeitos que foram à audiência, a presidente do órgão preferiu mandar representantes que nada apresentaram de concreto. Houve apenas uma tentativa de culpar gestões passadas e fugir à responsabilidade, na reunião e depois dela.

Em artigo publicado em O Tempo, o deputado Durval Ângelo (PT) teve a audácia de dizer que “alguns” se utilizam da condição climática adversa para alegar falta de investimento do atual governo. Também afirmou que o governo de Fernando Pimentel partiu do zero para realizar a obra de captação no rio Paraopeba, visando atender Belo Horizonte. O líder do governo também não informou que a gestão petista recebeu da administração anterior o projeto e o recurso. Omitiu ainda que nada fez no interior do Estado.

Fazer vistas grossas para a ausência de investimentos é querer jogar a culpa em São Pedro pelas chuvas escassas. Pior ainda é usar esse discurso no Brasil, que detém 7% de toda a água doce do mundo. A culpa não é de São Pedro. O grande problema é a descontinuidade e a má administração. O PT quebrou o Brasil e quebrou Minas Gerais. E agora falta dinheiro para fazer obras de captação de água. Falta dinheiro para coletar e tratar 100% do esgoto. E falta coragem para discutir e buscar soluções, como a que o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) de Uberlândia tem feito, com uma das maiores obras em andamento em nosso Estado.

Com uma tarifa 40% mais baixa do que a da Copasa, o Dmae está concluindo um serviço orçado em mais de R$ 300 milhões para transpor as águas do Rio Araguari para dentro do atual sistema baseado no manancial do Rio Uberabinha, aumentando a capacidade de água tratada para mais de 2 milhões de habitantes, a partir de 2019.

Artigo do deputado estadual Felipe Attie publicado no Jornal O Tempo em 01/11/2017

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