Manutenção de greve de professores desgasta relação de ala do PT com Beatriz Cerqueira

A presidente do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE), Beatriz Cerqueira, filada ao PT, pode ser expulsa da legenda. Segundo fontes próximas do governador de Minas, Fernando Pimentel (PT), a decisão de Beatriz de manter a greve da categoria está causando muita insatisfação, inclusive no PT nacional. O governo do Estado já enfrenta problemas fiscais e econômicos, e a paralisação dos professores pode atrapalhar ainda mais a reeleição do governador.

Nos bastidores do Palácio da Liberdade, acredita-se que a sindicalista pretende manter a paralisação para pressionar o partido a desistir de lançar a candidatura da ex-secretária de Educação do Estado Macaé Evaristo para deputada estadual. Isso porque Beatriz, que também é cotada para representar a legenda no pleito, perderia muitos votos para Macaé, uma vez que as duas disputam votos no mesmo eleitorado. Macaé é apoiada pelo próprio governador e é considerada favorita a conquistar a vaga.

Já Beatriz conta com o apoio do deputado estadual e membro do diretório nacional do PT Rogério Correia que também deve tentar uma mudança para Brasília nesta eleição. A presidente do Sind-UTE leva vantagem na militância da juventude petista.

Aliás, Correia nega que haja qualquer tipo de rumor dentro da executiva mineira e nacional do PT para expulsar a sindicalista. “Beatriz é muito querida e respeitada no PT. Ela é um perfil importante para o partido, uma sindicalista que luta por direitos. Ela e Macaé serão eleitas para o parlamento mineiro”, disse Correia.

O deputado ainda afirmou que ele e o colega André Quintão (PT) estão fazendo a interlocução entre o governo e o Sind-Ute. “Entendemos que essa é uma greve com caráter econômico e não político”, explicou.

Procurada, Beatriz se espantou com a possibilidade. “Eu desconheço esse movimento de expulsão”, afirmou. Segundo ela, é um absurdo que membros do PT tentem vincular uma greve a uma discussão eleitoral. “Eu represento uma categoria profissional que tem opinião própria e que sabe os problemas que está vivendo. É muita mediocridade e desrespeito achar que as pessoas que estão com os salários e 13º parcelados, sem nomeação de concurso público, que estão com o nome protestado no SPC e no Serasa porque o governo não repassa o consignado, que estão sem atendimento no Ipsemg, apesar de pagar o Ipsemg, porque o governo não repassa o dinheiro, não podem protestar”, disparou.

Beatriz explicou que o governador assumiu um compromisso com a categoria em 2015 e que ele não foi cumprido. “Por esse motivo, ele não enfrentou nenhuma greve da categoria, entre 2015 e o início de 2018. A categoria confiou que isso seria resolvido agora”, contou.

A presidente afirmou que os petistas que cogitam a sua expulsão estão tratando-a da mesma forma que os tucanos a tratavam. “O Sind-Ute não é a Beatriz, é uma organização com 82 sub-sedes. Então, querer mirar em mim agora é a mesma tática que o PSDB fazia comigo. Era isso que o PSDB fazia: mirava em uma liderança (para minar a mobilização)”, disse.

Os petistas que cogitam a expulsão de Beatriz teriam até mesmo reclamado com o ex-presidente Lula (PT) da atuação dela e da greve atual. Lula teria ligado para Beatriz para tentar evitar a greve.

A sindicalista nega que tenha recebido ligação do petista. “O Lula não me ligou para falar sobre isso. Ele tem uma relação de profundo respeito pela minha militância sindical. Ele respeita, porque sabe o que é o papel de um dirigente sindical. É uma leviandade, na minha opinião, envolver o nome do ex-presidente Lula nisso. Neste momento ele está cuidando de coisas muito mais sérias no país, do que de uma disputa medíocre de quem quer que esteja fazendo isso”, declarou (Ana Luiza Faria)

Fonte: O Tempo

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