Meses de paralisia

O governador Fernando Pimentel está há mais de sete meses à frente do governo de Minas Gerais sem que a população mineira tenha conhecimento de projetos e programas de governo a curto, médio ou longo prazos.

“O que irão fazer com o dinheiro do ICMS, do IPVA e dos demais tributos que eu pago?”, pergunta o cidadão. Pimentel se omite e não responde. Em vez de mostrar serviço, tenta desqualificar o que foi feito no passado para justificar sua falta de ação. E faz isso usando dados falsos desmascarados sistematicamente.

Em sociedades desenvolvidas e democráticas é natural que governantes eleitos apresentem seus planos logo que assumem um governo e a cada ano de mandato. Mas, pelo visto até agora, planejamento, diálogo e transparência fazem parte apenas do discurso do PT.

O desgoverno é tão grande, que fica evidente até na comunicação institucional do Executivo. Publicitários norte-americanos que trabalham com marketing político dizem que a reputação de um governo é construída nos cem primeiros dias. Em meados de abril, os mineiros esperavam do governo petista o anúncio de propostas para o Estado. Mas receberam um “diagnóstico” do passado repleto de erros, inverdades e omissões. Para surpresa de muitos, o governador convocou uma entrevista coletiva, fez um discurso breve e sem conteúdo e foi embora. Nenhum anúncio, nada sobre o futuro de Minas.

O que o governo de Minas Gerais propõe para os mineiros neste cenário de retração econômica, queda de investimentos, inflação e desemprego segue um mistério. O que o BDMG pensa para a economia mineira com a queda das commodities continua guardado entre quatro paredes. Enquanto supervaloriza e cobra da população a crise hídrica, a Copasa perde municípios importantes, como Pará de Minas.

Paralisado seja por incompetência, ações na Justiça que ameaçam seu mandato ou falta de vontade política, Pimentel se nega sistematicamente a falar com a imprensa. A distância que mantém dos jornalistas e a estratégica evasiva de comunicação desse governo para atender demandas já se tornaram folclore.

O pouco realizado nesses mais de sete meses certamente não será lembrado pelas virtudes: o aumento de secretarias e dos salários do primeiro escalão, o fim de projetos vitoriosos do governo anterior, as tratativas frustradas para a construção do gasoduto entre Queluzito e Uberaba, e a aprovação da Lei do Confisco, para usar recursos de depósitos judiciais vinculados ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

O que vem pela frente não nos traz muitas esperanças. A Presidente Dilma Rousseff, principal aliada de Pimentel, empurra a economia nacional ladeira abaixo. A inflação, o desemprego e a perda de renda batem às portas dos lares brasileiros. Enquanto isso, quando mais necessita da atuação governamental, a população mineira vê o Estado à espera das ações de um governador improdutivo, contraditório, que não dá nenhum sinal de que sabe o que fazer para enfrentar os seus graves desafios.

Por Gustavo Corrêa – Artigo publicado no jornal O Tempo em 22/08/2015

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