MG planeja vender parte da estatal de planejamento

Em crise financeira, o governo de Minas Gerais enviou ontem projeto à Assembleia Legislativa que abre caminho para a venda de parte da companhia de desenvolvimento econômico do Estado, a Codemig. O texto fala em transformá-la em uma sociedade de economia mista, que era o status que tinha até 2011. Pelo projeto, o Estado continuaria com o controle. A Codemig é dona ou sócia de uma variedade de ativos e negócios, entre eles hotel, fontes de água mineral, centros de convenção, fábricas, a sede do governo entre outros. Sua principal fonte de renda advém, no entanto, de um contrato com a Companhia Brasileira de Metalúrgia e Mineração (CBMM), controlada pela família Moreira Salles.

A CBMM é a maior produtora de nióbio do mundo – substância extraída em Minas. “Esse projeto tem o intuito de deixar a Companhia preparada em caso de uma eventual oferta para compra de suas ações”, disse a Codemig por meio de nota. O secretário da Casa Civil, Marco Antônio Rezende de Freitas, disse ao Valor que uma venda de parte das ações da Codemig ajudaria a dar um alívio às contas públicas. “O objetivo é dar, direta ou indiretamente, um benefício ao Tesouro do Estado. Haveria um benefício para o nosso caixa”, disse. Minas tem registrado déficit orçamentário desde 2015, quando o governador FernandoPimentel (PT) assumiu. Salários têm sido pagos de forma parcelada, o investimento público caiu e neste ano ainda não está claro se o governo terá capacidade para pagar o 13 salário dos servidores. Teixeira diz que não haveria tempo hábil para o Estado conseguir receita extra com uma oferta de ações para honrar com o 13º.

Em 2016, a Codemig registrou receita bruta de R$ 825 milhões – ante R$ 995,3 milhões de 2015. Isso, afirmou, porque houve grande volume de desembolsos em investimentos, pagamentos de juros, distribuição de dividendos e acerto de impostos com a CBMM. O lucro também caiu: de R$ 593,5 milhões para R$ 230,6 milhões. O anúncio do projeto de lei veio dias depois de a Codemig informar que está trabalhando numa operação de mais de R$ 500 milhões para comprar 50% do laticínio Itambé. A Codemig disse que aportaria parte do capital e que negocia outra parte com bancos e fundos.

Fonte: Valor Econômico 

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