Moro afirma ao TSE que há provas do repasse de propina para campanhas

O juiz da Lava Jato diz que ficou “comprovado direcionamento de propinas acertadas no esquema criminoso da Petrobras para doações eleitorais”.

O juiz Sérgio Moro disse ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que existem provas de que o dinheiro de propina desviado da petrobras foi doado e declarado oficialmente por partidos. Essa é a questão central da Lava Jato: provar que o dinheiro roubado é o dinheiro oficial de campanhas.
No ofício, encaminhado a pedido do TSE, o juiz Sérgio Moro diz que ficou “comprovado o direcionamento de propinas acertadas no esquema criminoso da Petrobras para doações eleitorais registradas”.

Como exemplo, Moro usa a sentença de condenação do ex-diretor Renato Duque e do ex-tesoureiro do PT, João Vaccari, em que ele próprio concluiu que foi repassada propina de mais de R$ 4,2 milhões, entre 2008 e 2012, como doações eleitorais registradas ao Partido dos Trabalhadores.

O TSE apura possíveis irregularidades na campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff. O autor da ação é o PSDB, que alega abuso de poder político, econômico e uso de dinheiro desviado da Petrobras. No documento, o juiz Sérgio Moro sugere ainda que o tribunal tome os depoimentos de delatores da Operação Lava Jato.

Ele cita, por exemplo, o doleiro Alberto Youssef, o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e o dono da UTC, Ricardo Pessoa, que já afirmaram em depoimentos que o dinheiro desviado da Petrobras era usado em campanhas.

No depoimento que deu em maio do ano passado à Procuradoria-Geral da República, Ricardo Pessoa disse que “embora as doações fossem feitas oficialmente eram referentes ao pagamento de propina da Petrobras ao PT”.

O ofício do juiz Sérgio Moro já foi analisado pelo Ministério Público Eleitoral. No parecer, o vice-procurador-geral eleitoral destaca que a defesa da presidente Dilma pediu que os documentos encaminhados por Moro não fossem aceitos como prova.

Os advogados alegaram que “os requisitos necessários para a admissão não estão presentes”, mas o argumento não foi aceito.

O vice-procurador disse no parecer que não vê qualquer irregularidade no uso dos documentos, desde que o direito à defesa seja garantido aos investigados, e que sejam tomados todos os cuidados para o compartilhamento das provas. Também afirmou que vai ouvir as testemunhas antes de decidir quais documentos da Operação Lava Jato serão incluídos no processo do TSE.

Leia na íntegra: G1 – Jornal da Globo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *