Número de roubos em Belo Horizonte dobra em quatro anos

Com aumento de aproximadamente 100% em cinco anos, crimes contra o patrimônio em BH multiplicam histórias de pessoas atacadas por ladrões, algumas mais de uma vez no período

Em 2012, quando trabalhava em uma farmácia, Sebastiana do Carmo Cunha, hoje com 50 anos, foi rendida por dois assaltantes. “Estavam armados, trancaram cinco funcionários no banheiro e me mandaram recolher o dinheiro do caixa. Levaram também meu celular, me ofenderam e me jogaram no chão. A PM chegou, houve troca de tiros. Passei noites sem dormir, à base de remédios”, lembra. No ano passado ela voltou a ser atacada por um criminoso armado: “Voltava do serviço. O rapaz me jogou no chão, levou meu dinheiro e, novamente, meu telefone. Por medo, saí do emprego”. Tiana, como é chamada por familiares e amigos, faz parte de uma estatística assustadora. O total de crimes violentos contra o patrimônio em Belo Horizonte quase dobrou de 2012 – quando ela foi assaltada pela primeira vez – a 2016, ano em que foi vítima do segundo roubo. Nestes cinco anos, segundo balanço da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), o número de crimes contra o patrimônio passou de 23.186 ocorrências para 43.120 registros, aumento de 86%.

O indicador, porém, é maior, pois o balanço de todo o ano passado não foi fechado pela Sesp. Refere-se ao acumulado de janeiro a novembro. O dado referente a dezembro, inicialmente com previsão de divulgação em fevereiro, só deve ficar pronto no fim deste mês. Mas, levando-se em conta os 334 dias de janeiro a novembro, a média foi de 129 casos diários. Em 2012, a média diária era de 63,5.

Sebastiana Cunha é parte das duas estatísticas. Ao tocar no assunto, ela faz questão de dizer que se sente desprotegida. Em 2012, recorda que a dupla armada entrou na farmácia quando os funcionários já haviam abaixado as portas. O crime ocorreu à noite, num bairro na Região Noroeste cujo nome ela prefere não mencionar. Em 2016, se tornou vítima na Savassi, na Região Centro-Sul da capital, no período da manhã. “Eu havia largado o serviço (era cuidadora de idosos) às 7h”, conta. Receosa, Tiana deixou o emprego. Relembre: Assaltos com morte avançam 63% em Minas, aponta fórum de segurança

Histórias semelhantes podem ser contadas em todas as partes da capital. Formado em administração de empresas, Ângelo Antônio Nogueira de Souza, de 32, enfrentou a situação no ano passado. “Estacionei o carro, por volta das 19h de um domingo, na porta do prédio de minha noiva, no Conjunto Califórnia (Região Noroeste). Chegaram dois rapazes, um deles parecendo drogado, e anunciaram o assalto. Eles me empurraram e levaram o carro, o laptop e aparelhos de celular”, conta.

Segundo ele, o policial que atendeu a ocorrência havia dito que a dupla era suspeita de assaltar outras pessoas na mesma região. Poucos dias se passaram e uma reportagem na televisão chamou a atenção de Ângelo. Um dos criminosos que o abordaram morreu ao assaltar uma padaria e trocar tiros com um policial à paisana que lanchava no estabelecimento. Até hoje, confessa, o rapaz sente insegurança ao rodar pela região em que foi assaltado.

Graciana Pimentel, de 35, vítima de três roubos, enfrentou no primeiro uma situação parecida com a relatada por Ângelo. “Eu e meu namorado havíamos estacionado em frente à casa de minhã mãe, no Bairro Ipanema (Noroeste), e fomos abordados por dois rapazes armados, que levaram o carro. Depois, no Coração Eucarístico (mesma região), quatro rapazes me tomaram o celular. Por fim, no Padre Eustáquio (também Noroeste), novamente me levaram o carro”, enumera.

Na última ocorrência, em 2015, ela foi abordada por um homem com um facão. “Eu estacionei e o ladrão abriu a porta, me mostrou a arma e me mandou ficar calada. Desci e ele levou o carro e minha bolsa com dinheiro e vários documentos. Também o telefone, do qual eu tinha pago só quatro das 10 parcelas que financiei.”

Leia na íntegra: Estado de Minas

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