O governo do contra

Mais que à análise política, os governos do PT, no Brasil e em Minas Gerais, deveriam ser submetidos a uma profunda análise psicológica, capaz de desvendar o espírito de contradição que anima o comportamento de seus quadros e de seus principais dirigentes. Principalmente quando estão no exercício de funções públicas e, destacadamente, no poder executivo, o PT tem caracterizando-se como um “governo do contra”.

Em Minas, ao invés de governar para o bem geral da sociedade, o atual executivo mineiro esmera-se em “governar contra” as gestões anteriores, a elas atribuindo a sua incompetência em fazer mais e sua incapacidade de executar melhor as políticas públicas estaduais. Nessa prática, infringe elementares princípios éticos e morais, propagando falsas informações e manipulando números fora de seu contexto.

A administração petista também governa contra si mesma, na medida em que anuncia diretrizes de ação com, comprovadamente, inverídicos cortes de gastos, enquanto aumenta as despesas com a criação de novas secretarias de estado e nomeia funcionários não concursados para cargos do alto escalão, com elevadas remunerações. Disso resultou, apenas no último mês, após o “anúncio” do fim das nomeações, a designação de 314 desses privilegiados detentores de cargos em comissão, sem qualquer contrapartida de cortes.

Secretários de Estado, aproveitando-se da participação em conselhos de empresas públicas – e com os reajustes aplicados, por exemplo, aos conselhos da Codemig e da Cemig, de 50% e 62,7% respectivamente –,passam a auferir ganhos mensais acima de R$ 30 mil. Assim, atuando em favor de seus próprios interesses, os “xerifes” de um orçamento supostamente deficitário, como os secretários da Fazenda e do Planejamento, embolsam tais salários.

Ao mesmo tempo, seguindo a mesma linha de irresponsabilidade fiscal de sua aliada e “mentora”, a presidente Dilma Rousseff, o petista Fernando Pimentel encaminhou à Assembleia Legislativa proposta orçamentária para 2016 prevendo um déficit da ordem de R$ 9 bilhões. Trata-se de algo nunca visto na história financeira de Minas Gerais.

Também na contramão, a proposta orçamentária do governo do PT cresceu em 139% (isto mesmo, cento e trinta e nove por cento!) os dispêndios com publicidade. Tipificando ainda mais a “governança do contra” instalada em Minas Gerais, nosso estado foi o que mais aumentou o endividamento no primeiro semestre de 2015, com um crescimento de 10 pontos percentuais na correlação entre Dívida Consolidada Líquida e Receita Corrente Líquida.
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A irresponsabilidade na gestão atual também se configura na aprovação de reajustes para algumas carreiras do funcionalismo público, sem previsão de receita correspondente, com impacto de aproximadamente R$ 14 bilhões em 5 anos. Ao mesmo tempo, o governo do PT não cumpre sequer as promessas de campanha, como o pagamento do prêmio por produtividade aos servidores estaduais, e ainda ameaça atrasar salários.

O resultado de tanta contradição? O aumento de impostos enviado pelo governador Fernando Pimentel e aprovado pela sua base na Assembleia Legislativa. Com o PT é assim: quem paga a conta da gastança do governo é o cidadão.

Por: Gustavo Corrêa – Artigo publicado no jornal O Tempo em 13/10/2015

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