Oposição realizará audiência pública para discutir investimento de R$ 146,9 mi do governo Pimentel no banco Mercantil

Deputados querem saber os motivos da transação que não dá à Codemig o controle da instituição financeira e em um momento em que o mercado de capitais brasileiro está praticamente fechado

A compra de ações do Banco Mercantil de Investimentos (BMI) realizada pela Codepar, subsidária da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) será tema de audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. A realização da audiência foi aprovada nesta quinta-feira (27/4) pela Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária. O objetivo é entender porque o governo Fernando Pimentel, que afirma não ter recursos, decidiu investir R$ 146,9 milhões na aquisição de ações de um banco privado.

Causa estranheza, por exemplo, que a Codemig tenha feito um investimento tão alto para adquirir uma participação de 58,59% do capital do banco sem, entretanto, adquirir o controle da instituição, que continua com o banco, que mantém 51% das ações ordinárias. Para esclarecer este e outros pontos sobre a transação, serão convidados o presidente da Codemig, Marco Antonio Castello Branco, e o secretário de Fazenda, José Afonso Bicalho.

De autoria dos deputados Gustavo Valadares, Felipe Attiê e Tito Torres, o requerimento propõe, em seu texto, que sejam esclarecidos o motivo da compra, realizada pela Codemig através de sua subsidiária, Codemig Participações S.A. – a Codepar, e especificamente as razões relacionadas às oportunidades estratégicas identificadas pela Codemig em sua análise do plano de negócios proposto pelo BMI; o elevado potencial de mercado que justificaria a atratividade do investimento e o baixo risco do investimento, ambos identificados pela Codemig.

Para Valadares, uma empresa pública do porte da Codemig deve aos mineiros transparência, principalmente diante do caos administrativo instaurado durante a gestão de Fernando Pimentel. “Os servidores seguem recebendo seus salários parcelados, o cidadão sente no bolso os aumentos de impostos, a indústria e o comércio sangram sem incentivos. A compra de mais de R$ 140 milhões em ações de um banco de investimentos mal posicionado no mercado financeiro tem que ser explicada. Os motivos, o que levou a escolha deste banco para o investimento e o que isso vai gerar e impactar no estado precisa ser explicado para os mineiros”, afirma.

Na transação, a Codemig adquiriu aproximadamente 221 milhões de ações ordinárias, representando cerca de 47,66% do total de direitos de votos do BMI, e cerca de 224 milhões de ações preferenciais, sem direito a voto, conforme informações da própria Codemig . O ativo total do Banco Mercantil de Investimentos caiu de R$ 628,89 milhões em 2011 para R$ 75,49 milhões em 2015 – e a Codemig parece não ter considerado esta significativa perda de ativo total do Banco em sua transação.

Líder do Bloco de Oposição na ALMG, o deputado Gustavo Corrêa levou o assunto a plenário, e lembrou que a transação ocorreu em um momento em que o mercado de capitais brasileiro está praticamente fechado e que as condições do Banco Mercantil dentro do mercado financeiro não eram favoráveis para a negociação.

“Aguardamos a presença do presidente da Codemig aqui na Assembleia para explicar o que levou o governo, este governo que diz não ter recursos, a colocar milhões em uma instituição financeira privada. Por que não pegou esse dinheiro e aplicou no BDMG ou em outra instituição financeira com mais destaque no mundo financeiro e, sobretudo, que tenha mais segurança financeira que o Banco Mercantil de Investimento?”, reforçou.

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