Pimentel recebeu propina de empreiteiras, diz delator

Segundo Bené, Odebrecht e OAS repassaram R$ 14,5 milhões a Pimentel. Advogado de governador diz que notícias são ‘absolutamente falsas’.

O empresário Benedito Oliveira, o Bené, declarou em delação premiada que o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, do PT, recebeu propina para caixa dois de campanha das empreiteiras Odebrecht e OAS. Trechos da delação do empresário foram publicados na edição desta terça-feira (7) do Jornal Folha de S. Paulo e confirmados pela TV Globo.

Oliveira afirma que as empreiteiras pagaram R$ 14,5 milhões em propina a Pimentel, para financiar a campanha eleitoral ao governo do estado. Ele afirmou que quando Pimentel era ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, no primeiro governo de Dilma Rousseff, negociou com a Odebrecht a intervenção junto à Secretaria de Comércio Exterior do Ministério e ao BNDES para aprovação e liberação de recursos para financiamentos fora do país – como as obras do metrô de Buenos Aires, e em Moçambique, na África.

O valor da propina seria de R$ 15 milhões. Mas, ainda segundo a delação, foram recebidos, de junho de 2013 a junho de 2014, aproximadamente R$ 11,5 milhões da Odebrecht. O montante foi entregue em espécie, em várias parcelas de R$ 500 mil, em três ou quatro hotéis de São Paulo, conforme o delator.

O empresário contou, ainda, que em 2011 a empreiteira OAS solicitou a intervenção de Pimentel, no período em que ele era ministro, junto a autoridades do governo uruguaio para participar da construção de um gasoduto.

Segundo Bené, os contatos foram viabilizados e a OAS participou da obra. A empreiteira doou R$ 3 milhões, em forma de contribuição, para campanha de Pimentel ao governo de Minas. Ainda de acordo com Oliveira, o dinheiro foi entregue em Belo Horizonte, em seis parcelas de R$ 500 mil.

Conforme a reportagem da Folha, Bené também afirmou que Pimentel o incumbiu de arrecadar contribuições para o caixa dois da campanha ao governo. Disse ainda que Pimentel tinha ciência de que os valores arrecadados e as despesas da campanha eleitoral de 2014 foram subfaturados na prestação de contas da Justiça eleitoral.

Bené está preso desde abril.

Fernando Pimentel já foi denunciado ao Superior Tribunal de Justiça por corrupção e lavagem de dinheiro, suspeito de receber propina do Grupo Caoa. O andamento da denúncia foi suspenso pelo Supremo Tribunal Federal até que seja julgado um recurso da defesa de Pimentel.

O advogado de Fernando Pimentel afirmou que as notícias são absolutamente falsas, uma a uma, e demonstram, em tese, o desespero de quem está disposto a alimentar o imaginário acusatório e de prévia condenação que assola o Brasil há tempos.

A Odebecht a OAS afirmaram que não vão não se manifestar.

A operação

A Operação Acrônimo investiga um esquema de lavagem de dinheiro em campanhas eleitorais envolvendo gráficas e agências de comunicação. Pimentel é suspeito de ter utilizado os serviços de uma gráfica durante a campanha eleitoral de 2014 sem a devida declaração dos valores e de ter recebido “vantagens indevidas” do proprietário dessa gráfica, Bené.

Fonte: G1

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