Produtores de queijo minas do Serro cobram por participação no desenvolvimento de um centro especializado

Crédito/Foto: Ricardo Barbosa - ALMG

Para deputados e trabalhadores do setor, projeto do governo que prevê a criação de Centro de Especialização e Pesquisa do Queijo, precisa atender necessidades reais e não ser apenas vitrine política

A Comissão de Agropecuária e Agroindústria da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) debateu nesta sexta-feira (17/11) a proposta do governo do estado de construir o Centro de Especialização e Pesquisa de Queijo Artesanal da região do Serro. Solicitação do deputado Bonifácio Mourão, a audiência recebeu em peso os produtores e sindicatos de produtores da região que vieram se posicionar, cobrando que o governo ouça a voz de quem produz o queijo para ajustar funcionamento e gestão do Centro.

Para os produtores é importante que a gestão do Centro seja construída conjuntamente com eles. João Carlos Leite, produtor rural e presidente da Associação dos Produtores de Queijo Canastra (Aprocan) destacou que os produtores sabem exatamente as necessidades do setor. “Precisamos de trocar conhecimento e formar novos mestres queijeiros. Pra quem já produz, existem uma série de conhecimentos vindos pesquisas que podem auxiliar e precisam chegar até os nossos produtores. Acima de tudo o centro precisa ser um espaço de conhecimento e onde se trabalhe o queijo mineiro com a importância que ele tem, não a ser tratado como algo que precisa perder suas características. O centro não pode ser uma vitrine, só pra falar que existe”, disse.

Estiveram presentes representantes das secretarias de Agricultura, Pecuária e Abastecimento e também da secretaria de Desenvolvimento e Integração do Norte e Nordeste de Minas Gerais. Ambos não souberam explicar ou apontar qual secretaria ficará responsável pela gestão do Centro. Representando a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), o analista de projetos Carlos Frederico Agilar Ferreira, reforçou a necessidade de um estudo de viabilidade para o projeto.

O deputado Bonifácio Mourão acredita que o assunto deve ser ainda mais debatido na casa legislativa. Para ele, o valor da produção artesanal de queijo no estado é inestimável e a administração do Centro de Especialização não pode ser feita de forma desordenada e desrespeitosa. “A participação e a voz dos produtores rurais precisam ser essenciais ao projeto. Essa não pode ser uma reunião única, devemos seguir acompanhando, desde o estudo de viabilidade até o funcionamento da estrutura, o Centro precisa ter o que a produção mineira de queijo precisa aliado ao que nosso produtores conhecem”, reforçou.

Diante das falhas de gestão deste governo, o temor dos deputados e dos produtores é que a irresponsabilidade atinja a produção do queijo. Para a criação do Centro, o governador enviou à ALMG o Projeto de Lei 4.631/2017, que já tramita na casa, aguardando designação de relator na Comissão de Constituição e Justiça.

Causa estranheza o fato de o PL do governador conter disposições sobre a produção e comercialização dos queijos artesanais similares aos contidos na lei 20.549/2012, originária do PL 1.702/11, de autoria do deputado Antônio Carlos Arantes. Com isso, a aprovação do PL enviado pelo governo, causaria a revogação da lei de 2012, fruto de trabalho intenso e direto com produtores de todo o estado. Para Arantes, o fato mostra a falta de interesse do governo em dialogar.

“A Lei do Queijo Minas Artesanal foi um trabalho feito em conjunto, aperfeiçoado sobre a necessidades do setor. Toda iniciativa que for favorável ao produtor de queijo é bem vinda. Mas o governador precisa entender que ninguém entende melhor sobre o queijo minas artesanal do que aqueles que o produzem, são os melhores parceiros para a construção do centro”, concluiu o deputado, presidente da Comissão de Agropecuária e Agroindústria.

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