Projetos caros e mirabolantes não saíram do papel em Minas

Polo de moda, centro aeroespacial, fábrica de amônia e mais 2.000 planos não vingaram

QUEILA ARIADNE

Cléria Maria de Freitas tem 51 anos. Há cinco, vive em Lagoa Santa, na região metropolitana de Belo Horizonte. A expectativa dela é conseguir um lugar para morar e arrumar um trabalho, quem sabe, na escola técnica que o governo do Estado construiu ao lado do barracão de lona que ela ergueu em um pedacinho de um terreno de 1,6 milhão de metros quadrados, onde já deveria ter sido inaugurado o Centro de Tecnologia e Capacitação Aeroespacial (CTCA). Era para ser condomínio aeroespacial, no entanto só foi construído um prédio da escola, que custou R$ 14 milhões. Com obras concluídas em 2017, a unidade está fechada desde então. No lugar de indústrias ou alunos, o que se pode ver são alguns barracos, como o de Cléria.

Esse condomínio é apenas um dos vários projetos de papel que chegaram a receber investimentos públicos ou privados, mas nunca viraram realidade e deixaram um rastro de frustração e desperdício de recursos financeiros. Ainda existem muitas outras obras inacabadas, como a fábrica de amônia em Uberaba (Triângulo), que teve a construção abandonada pela Petrobras, mesmo depois de mais de R$ 620 milhões investidos. São mais de 2.000 projetos atrasados ou paralisados em Minas Gerais, segundo levantamento com base em dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Eles somam R$ 2,6 bilhões.

Cléria afirma que, enquanto não tiver condomínio, vai ter barracos. “É um desperdício. Essa escola tomou dinheiro do povo, que poderia ter sido investido em outras coisas para a cidade. Agora está lá, definhando. Poderia oferecer emprego, mas virou um fantasma. Se arrumarem um local para eu morar, eu saio”, diz.

O projeto do CTCA começou a ser pensado em 2009. Em 2014, o governo de Minas publicou o Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) para levantar possíveis interessados. O plano era investir R$ 97 milhões em obras de infraestrutura, loteamento e centros de formação técnica. A Embraer chegou a assinar um protocolo de intenções, se comprometendo a passar suas instalações para o local. Além da escola, a primeira parte, o sistema viário, ficou pronta.

“Infelizmente, a escola está deteriorando mesmo antes de ser usada. E no resto do terreno, onde era para ser uma referência de inovação tecnológica, já tem até uma pequena invasão”, destaca o diretor de Regulação Urbana da prefeitura de Lagoa Santa, Dalmar Duarte.

Morador da região, Wanderson Lana lamenta o descaso com o dinheiro público. “Nossos jovens perdem essa oportunidade de capacitação porque as empresas que chegam vão buscar mão de obra especializada fora, já que aqui não tem”, disse.

Dos R$ 14 milhões investidos na escola, R$ 10 milhões vieram do governo federal e R$ 4 milhões do estadual. A unidade tem capacidade para atender, no mínimo, 400 alunos.

Leia a reportagem completa no site do jornal O Tempo

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