Reativação de voos no Aeroporto da Pampulha representa retrocesso

Medida pode gerar transtornos a moradores, além de colocar em risco a segurança e qualidade dos serviços aeroviários

Contrariando os interesses da população, dos moradores da Pampulha e o desenvolvimento do vetor norte da capital, a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, a Infraero e o governo do Estado querem retomar os voos interestaduais no Aeroporto Carlos Drummond de Andrade, o Aeroporto da Pampulha. O assunto foi debatido em audiência pública da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta terça-feira (25/04), e trouxe à tona os problemas e retrocesso que a proposta representa.

Desde o início deste ano, a prefeitura vem manifestando o desejo de retomar operações no aeroporto, que, atualmente, conta apenas com voos executivos e regionais em aeronaves de pequeno porte. Já o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, vem recebendo investimentos que o tornaram âncora para o desenvolvimento da região. Cerca de R$ 900 milhões foram investidos na ampliação e modernização de infraestrutura do terminal, o único internacional de Minas Gerais, que atende em média 22 milhões de passageiros por ano e possui capacidade para aeronaves de grande porte, voos internacionais e de longa distância.

A proposta já recebeu posicionamento contrário da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), do Ministério dos Transportes e é alvo de manifestações contrárias tanto dos moradores da Pampulha quanto dos moradores e comerciantes do vetor norte.

“Temos acompanhado estes e muitos avanços no aeroporto de Internacional de Confins, como as obras de expansão que foram concluídas em 2016. Não podemos retroceder e a população local deve ser ouvida”, apontou o deputado Dalmo Ribeiro Silva (PSDB).

O deputado Antônio Carlos Arantes (PSDB) demonstrou preocupação com a possível reativação do Aeroporto da Pampulha. “Há uma insatisfação geral com uma proposta em marcha ré, que prejudica os moradores e trava o desenvolvimento da região Norte. A atual gestão quer jogar um balde de água fria no crescimento do estado, afastando futuros investidores do estado”, disse.

O ex-subsecretário de Investimentos Estratégicos de Minas Gerais, Luiz Antonio Athayde Vasconcelos, que esteve à frente do projeto de revitalização do Aeroporto de Confins, participou da reunião e destacou os estudos técnicos realizados para o processo de transferência dos voos e pleno funcionamento do terminal em Confins. “Foi um trabalho feito como projeto de estado. Para Minas e os mineiros. Foi planejado por técnicos estaduais e federais, pensando no melhor para o funcionamento da aviação civil no estado, para o desenvolvimento e segurança das regiões que abrigam os aeroportos”, disse.

Entre os fatores apontados para que não sejam reabertas grandes operações no Aeroporto da Pampulha, moradores e técnicos destacam o aumento da poluição sonora em área residencial e consequente diminuição da qualidade de vida, impacto no preço das passagens com a redução de movimento no aeroporto internacional, dificuldades para conexões e descrédito de investidores.

Requerimento

O deputado Gustavo Valadares apresentou requerimento que solicita visita da Comissão de Desenvolvimento Econômico aos aeroportos da Pampulha e de Confins. O objetivo é avaliar as estruturas, o funcionamento e a interação das comunidades ao redor com os aeroportos.

“Precisamos entender a fundo qual é o interesse do governo do estado e da gestão municipal em desconstruir uma conquista. O governador, em mais de dois anos de mandato, esteve na Cidade Administrativa o mínimo possível. Precisamos de um governador disposto a construir, não a desconstruir e um prefeito que realmente se importe com o crescimento de uma região”, disse Valadares. O requerimento será colocado para votação na próxima semana, durante reunião ordinária da Comissão.

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