Rede Minas contratou por R$ 201 mil empresa que entrou na mira da Lava Jato

A Rede Minas contratou neste mês, por R$ 201 mil, uma empresa de informática que, no ano passado, foi envolvida na rede de investigações da operação Lava Jato. A CTIS Tecnologia, com sede em Brasília, prestará à TV pública serviços de impressão, com assistência técnica e manutenção corretiva, reposição de peças e insumos. O período de vigência é de 36 meses. Procurada, a Rede Minas disse desconhecer problemas com a empresa e que a CTIS constava no banco de dados da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), tendo seguido todos os critérios legais.
Entretanto, em 2016, a empresa em questão caiu no radar da operação Lava Jato, que passou a investigar o pagamento de propinas em cinco contratos do Banco do Brasil de fornecimento de softwares e serviços de informática que, somados, ultrapassam os R$ 150 milhões. Documentos obtidos pela Polícia Federal, em Curitiba, indicam que uma “empresa de fachada”, acusada de corrupção e lavagem de dinheiro na Petrobras, recebeu “comissões” de até 10% sobre os negócios com o banco fechados entre 2008 e 2010.

De acordo com os investigadores, seriam quatro contratos e um aditivo contratual que estariam sob apuração desde junho do ano passado. As contratadas do banco seriam a Ação Informática Brasil, a PBTI Soluções e a CTIS Tecnologia. As três eram fornecedoras de serviços de tecnologia da instituição e atuam no Brasil como representantes de desenvolvedoras de softwares, como as norte-americanas Oracle Corporation e BMC Softwares.

A Ação, a PBTI e a CTIS passaram a ser investigadas depois da identificação, pela força-tarefa, de pagamentos feitos por elas para a Credencial Construtora, Representações e Participações – firma que estava na mira dos investigadores. Seus donos são acusados de corrupção em contratos da Petrobras, com repasses de valores comprovados para o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu – preso e condenado, em Curitiba.

Também em 2015, a CTIS passou a ser investigada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que instaurou processo administrativo contra empresas do ramo por suposta formação de cartel em licitações públicas e privadas para contratar serviços de tecnologia da informação pelo Ministério da Educação. As investigações do caso começaram em 2009. À época, a CTIS negou participação no cartel. Sobre a investigação na Lava Jato, a empresa disse que não foi incluída no inquérito na condição de investigada ou acusada, tendo comparecido tão somente para prestar esclarecimentos sobre fatos envolvendo terceiros que eram investigados. (Angélica Diniz)

Fonte: O Tempo

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