Reforma do Minascentro gera prejuízos para o trade

O anúncio realizado na última semana de agosto dando conta do fechamento do Minascentro para obras, a partir de janeiro de 2018, tem causado rebuliço junto à cadeia produtiva do turismo em Belo Horizonte.

Os últimos eventos a serem realizados no centro de convenções que fica no hipercentro da Capital, serão este mês. A partir daí o espaço será fechado e todos os compromissos marcados remanejados, sem custo, para o Centro de Feiras e Exposições George Norman Kutova (Expominas), na região Oeste.

O texto divulgado pela Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), responsável pelo espaço, não esclarece prazo de entrega da obra ou valores, já que o edital ainda está em andamento. “Serão realizadas intervenções no sistema hidráulico, de energia e de ar-condicionado, bem como no telhado a partir de janeiro de 2018, objetivando garantir segurança, conforto e bem-estar aos usuários, além de assegurar a adequada manutenção estrutural do edifício e a preservação do empreendimento. O processo licitatório das obras está em fase de estudo. Em função dessas obras emergenciais, as atividades do local serão temporariamente suspensas”, atestou o documento.

Para o secretário-executivo do Belo Horizonte Convention & Visitors Bureau, Hernani de Castro Júnior, a medida é descabida e pode afetar a credibilidade de Belo Horizonte como destino turístico de negócios. “É um absurdo o fechamento do Minascentro dessa forma intempestiva. Mesmo que a mudança de local não gere mais custos para os organizadores isso demonstra amadorismo de toda a cadeia produtiva. Um congresso médico, por exemplo, é marcado com três ou mais anos de antecedência. Isso não pode acontecer”, reclama Castro Júnior.

Em esclarecimento divulgado dia 1º de setembro, a Codemig aumentou a possibilidade para os eventos com dificuldade para com o remanejamento. “A Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) esclarece que os eventos agendados até dezembro de 2017 que não puderem ser realocados para o Expominas Belo Horizonte ou outros locais, sem nenhum custo adicional para os organizadores, poderão ser realizados no Minascentro”, informou a nota.

A presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis – Minas Gerais (Abih-MG), Erica Drumond, engrossa o coro. A entidade já solicitou audiência pública na Assembleia Legislativa sobre o tema. Está sendo organizado, também, um abraço simbólico ao prédio que faz parte da história da cidade.

“O governo não pode atrapalhar o setor dessa maneira. Não existe fechamento de um equipamento como esse. Ninguém fecha um hotel ou um hospital para reforma. Queremos que a Codemig detalhe o projeto nessa audiência. Não podemos jogar fora todo o trabalho feito de divulgação, promoção e captação de eventos realizados dessa maneira. Temos, por exemplo, um grande evento do setor de aviação marcado para outubro de 2018. Vamos poder realizá-lo? Demoramos uma década para trazê-lo para Belo Horizonte”, pontua Erica Drumond.

A assessoria da Codemig foi procurada, mas até o fechamento da edição nenhuma fonte da empresa foi disponibilizada para comentar sobre o assunto.

Linha do tempo – O Minascentro foi criado em 1981 pelo Decreto Estadual nº 21.226 para sediar o encontro das artes, cultura, indústria, comércio, ciência e turismo. Sua inauguração oficial ocorreu em 15 de março de 1984.

A Codemig assumiu a gestão do espaço em conformidade com a Lei nº 22.287, de 14 de setembro de 2016. Indutora do desenvolvimento econômico mineiro, a empresa vem adotando o modelo de concessão de uso de espaços públicos, a título oneroso, à iniciativa privada, a empreendedores com capacidade e expertise devidamente comprovadas, no intuito de implementar dinamismo e operacionalidade aos empreendimentos, sendo remunerada, principalmente, por royalties sobre a receita bruta.

Fonte: Diário do Comércio 

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