Secretaria de Esportes exonera 11 servidores em retaliação a denúncias de ex-secretário

Em retaliação às denúncias feitas pelo agora ex-secretário de Esportes Ricardo Sapi, que anunciou seu pedido de exoneração do cargo na última quarta-feira, por conta da falta de apoio político e de polêmicas dentro da pasta, o governo de Minas publicou nesta quinta-feira (23), no Diário Oficial “Minas Gerais”, a exoneração de 11 funcionários da secretaria. Do total, apenas uma servidora era concursada, e os outros eram comissionados. De acordo com interlocutores da pasta, apenas três dos 11 funcionários tinham alguma ligação com o secretário ou com o PRB, partido que estava à frente da secretaria desde 2015.

“Hoje foram exonerados somente os servidores técnicos! Servidores éticos e com anos de serviços prestados ao Estado muito antes da minha chegada à secretaria; já outros servidores foram nomeados por mim e são exemplos de dedicação e comprometimento”, lamentou Ricardo Sapi.

Pelo menos seis exonerados eram funcionários antigos da secretaria, alguns com até 30 anos de serviços prestados ao Estado. Como um servidor comissionado que entrou no governo em 1993, como office boy, por recrutamento amplo. À época, a secretaria ainda era apenas de Turismo. Ele foi efetivado e locado no setor de recursos humanos e, em 2007, recebeu a designação para dirigir a diretoria de recursos humanos da pasta. Como ele era o único taxador em exercício da Secretaria de Esportes, a pasta agora nem sequer tem quem responda pelos pagamentos dos demais funcionários.

Um dos exonerados conversou com o Aparte e contou como viu os acontecimentos, que, segundo ele, pegaram a todos de surpresa. “Entrei como estagiário e fui progredindo. Me tornei analista do ICMS e segui evoluindo. Enfim, sempre resolvi tudo que a secretaria precisava. Porém, nas últimas semanas alguns servidores pediram exoneração de seus cargos, a maioria prevendo problemas como estes. Dessa forma, o cargo de assessor-chefe ficou vago, e, como possuo mestrado em ações e planejamento estratégico, me colocaram no cargo sem nem sequer alterar meu DAD4 (nível do cargo de assessoramento). Houve uma indicação política para a vaga, mas cujo indicado nunca apareceu, só então me nomearam para chefia de Planejamento, já que sou tecnocrata”, conta o servidor comissionado demitido.

Segundo ele, é uma ação comum na pasta que servidores técnicos cubram as atividades que os indicados políticos deixam, assumindo funções, mas sem receberem por isso. De acordo com o interlocutor, os servidores que não são de partidos são os primeiros demitidos. Para ele, sua exoneração se deve a uma possível confusão por ele ter trocado recentemente de posto dentro da estrutura da pasta.

“Acho que a minha exoneração tem a ver com alguma retaliação e, o pior, tem a ver com pessoas que acham que eu estou vinculado a ele (Sapi). Como assumi um cargo de chefia recentemente, provavelmente acharam que eu era contato político dele, mas nunca fiz nada político pra ninguém. Só aceitava tudo isso (mudanças de cargos) para não parar o funcionamento da secretaria”, conclui o ex-servidor.

A expectativa é que nesta sexta-feira (24) outras exonerações aconteçam na Secretaria de Esportes. Além disso, segundo interlocutores da pasta, nenhum dos funcionários-fantasma foi exonerado. (Felippe Drummond)

Fonte: O Tempo

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