Secretários de Pimentel são apontados em ata da Cemig como ‘fatores de risco’

A Cemig, que já ostentou o título de maior empresa de energia do país e agora corre o risco de perder três de suas principais usinas – Jaguara, São Simão e Miranda, está com seus cofres vazios. A concessionária fechou 2016 com um resultado de R$ 69,8 milhões. Em 2015, a empresa teve um lucro de R$ 2,3 bilhões e, em 2014, o resultado contabilizado foi de R$ 2,08 bilhões. Os números constam no relatório divulgado pela companhia no dia 31 de maio deste ano. Em proporção inversa, a dívida líquida cresceu 40,27% – passando de R$ 5,5 bilhões em 2015 para R$ 7,7 bilhões em 2016.

Além dos números, o capítulo quatro do relatório chama a atenção. Intitulado “Descrição dos fatores de risco”, essa parte do texto relata possíveis ameaças para a empresa (econômica, política, judicial). “Estamos sujeitos ao risco de que nossos empregados, contratados ou qualquer pessoa que venha a fazer negócios conosco, possam se envolver em atividades fraudulentas, de corrupção e suborno, burlando nossos controles internos e procedimentos, se apropriando indevidamente ou se utilizando de nossos ativos para benefícios particulares em detrimento dos interesses da companhia”, diz trecho do relatório da Cemig na página 26.

Na mesma página, o balanço enfatiza, em negrito, que “alguns membros de nossa administração são parte em processos administrativos e judiciais e investigações em andamento relacionadas a atividades fora do escopo de nossas operações”. Em seguida, dois membros do governo de Fernando Pimentel (PT) são citados no documento. São eles, o secretário de Fazenda, José Afonso Bicalho, e Marco Antônio de Rezende Teixeira, titular da Casa Civil.

“José Afonso Bicalho Beltrão da Silva, presidente do nosso Conselho de Administração, é réu em ações judiciais relacionadas a práticas ilegais que supostamente ocorreram quando ele foi diretor-presidente do Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge). O senhor José Afonso Bicalho Beltrão da Silva também é réu em uma ação civil pública envolvendo improbidade administrativa”, diz o relatório no fim da página 26.

Na página seguinte, o balanço aponta: “O senhor Marco Antônio de Rezende Teixeira, secretário de Estado de Minas Gerais e membro do nosso Conselho de Administração, foi submetido a ordens de busca e apreensão e condução coercitiva pela Polícia Federal em decorrência da operação Acrônimo, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o financiamento de campanhas políticas por empresas brasileiras, incluindo aqueles que receberam empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O senhor Marco Antônio de Rezende Teixeira também é réu em um processo penal envolvendo violação da Lei de Licitações. Esse pedido foi indeferido em 20 de abril de 2017. No entanto, ainda está sujeito a recurso”, descreve o balanço da empresa energética.

“Não podemos garantir que os procedimentos judiciais e administrativos, novos desdobramentos da operação Acrônimo ou mesmo o início de novos processos judiciais e administrativos ou investigações contra membros de nossa administração não imponham limitações ou restrições ao desempenho dos membros da nossa administração que são parte nestes processos. Além disso, não podemos garantir que essas limitações não nos afetarão adversamente e a nossa reputação”, conclui o relatório no trecho que cita os secretários.

Como membros do Conselho de Administração, os secretários recebem os jetons da estatal, uma gratificação pela participação nas reuniões do grupo. Somente neste ano, de janeiro a julho, Bicalho já recebeu R$144.600, e Marco Antônio Teixeira, R$115.063,64. (Angélica Diniz) 

Fonte: O Tempo 

Cemig responde

Em virtude da nota publicada pelo Aparte, sobre a queda no lucro da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e sobre os secretários de Estado que integram o Conselho de Administração, considerados fatores de risco pela própria estatal, a Cemig informou que continua sendo a maior empresa integrada do setor elétrico brasileiro, sendo a maior distribuidora de energia e entre os maiores grupos de geração e transmissão do país. A estatal também contestou o valor do lucro líquido em 2016 que seria de R$ 342,5 milhões. O Aparte se baseou nos números que constam no relatório da Cemig GT divulgado no dia 31 de maio deste ano. Ainda que os dados da distribuição tenham ajudado a melhorar os resultados, a companhia apresentou uma queda de 86,47% em relação aos resultados de 2015. Sobre os secretários José Afonso Bicalho e Marco Antônio Rezende, a Cemig não se pronunciou.

Fonte: O Tempo 

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