Servidores da segurança vão manter pressão sobre governo

Líderes do movimento querem se manifestar contra Pimentel em festa de aniversário da polícia

LUCAS RAGAZZI

A guerra deflagrada por representantes de servidores das forças de segurança, que culminou na ocupação do Palácio da Liberdade na última quarta-feira, não deve terminar tão cedo. Sindicatos e movimentos ligados à categoria, que fazem reivindicações ao governo de Minas por melhorias salariais nos últimos anos, prometem protagonizar novos atos contra o governador Fernando Pimentel nesta sexta (8) e nos próximos dias.

Pela manhã, deve ocorrer um protesto de repúdio na porta da Academia de Polícia Militar de Minas Gerais, na região Oeste de Belo Horizonte, onde o governador confirmou presença na cerimônia de comemoração dos 243 anos da Polícia Militar. A participação do petista no evento foi mantida mesmo com o pedido de aliados para que ele evitasse se expor neste momento de atrito com a classe.

Enquanto isso, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), a invasão de parte da sede do governo continua a ser debatida. Integrantes da base governista, ainda revoltados com a postura do deputado estadual Sargento Rodrigues (PTB), um dos líderes da manifestação, consideraram a possibilidade de apresentar à Mesa Diretora da Casa um pedido de cassação do mandato por quebra de decoro parlamentar.

A medida, no entanto, não teve aprovação total da bancada. Alguns avaliam que esse tipo de processo se arrastaria e poderia servir como marca negativa para a base. “Os tempos não estão favoráveis ao governo”, avaliou um petista.

Em reação à possibilidade, Sargento Rodrigues se mostrou cético. “Vou aguardar isso acontecer, não acredito. Vamos ver quem tem coragem de fazer isso”, disse, aos risos, o parlamentar. “Se o MST pode adentrar os portões do palácio, por que servidores não podem? Tiveram até lanche custeado pelo contribuinte”, questionou, antes, em plenário.

Em resposta a Rodrigues, o líder do governo na ALMG, deputado Durval Ângelo (PT), criticou a postura e o movimento por ter se tratado de uma “mancha negra” na história democrática do Estado.

“Ocorreu algo que nunca havia acontecido em 110 anos. Nem nas greves de 1983, com os desempregados, nem na greve da PM de 1997, dos professores. Sempre o símbolo do Poder foi preservado. Ocuparam à força um prédio que representa a democracia. A ação foi incentivada do microfone pelo deputado (Sargento Rodrigues). Isso é péssimo para a democracia”, argumentou Durval.

Expectativa. Segundo o diretor geral do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais (Sindpol-MG), inspetor José Maria de Paula, a categoria, junto com outras associações de policiais militares, bombeiros e do sistema socioeducativo, deve manter os protestos contra o governador. Informações dos novos atos, segundo a liderança policial, devem ser divulgadas ainda nesta sexta-feira.

“Estamos nos reunindo e definindo os detalhes. Mas com certeza vamos realizar novos atos. A estratégia está sendo traçada, e estamos com a expectativa de que sejam ainda maiores do que foi no palácio. Não queremos briga com o governo, queremos apenas ajudar as famílias dos militares. O Pimentel não cumpriu nenhuma das promessas com a categoria”, disse o inspetor.

Justiça

Decisão. Na quarta, os manifestantes que invadiram o Palácio da Liberdade chegaram a montar barracas para passar a noite no local, mas saíram após a Justiça determinar a reintegração de posse do prédio.

Tucano compara pedido de prisão com ação de ditadura

A reação dos deputados estaduais da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) sobre a ocupação do Palácio da Liberdade pelos servidores da área da segurança foi diversa. Para o oposicionista João Leite (PSDB), o ato do governo de Minas de pedir a prisão de líderes do movimento se tornou preocupante. O tucano chegou a comparar a ação com a época da ditadura militar.

“É de causar preocupação, é a total falta de diálogo com uma classe tão importante para a população. Os pedidos de prisão foram graves, coisas que só vi na época da ditadura”, disse.

João Leite afirmou que atuou na Casa quando, em forma de homenagem, deputados restituíram os mandatos parlamentares de homens públicos que haviam sido cassados pela ditadura.

O tucano também rechaçou a possibilidade de prosperar um pedido de cassação de mandato de Sargento Rodrigues (PTB) por conta do protesto. “Seria um absurdo. Ele é um representante legítimo e eleito pela classe militar. A base do governo já promoveu a ocupação do plenário da Assembleia pelo Movimento dos Sem-Terra (MST) por semanas, e nada semelhante ocorreu”, questionou.

Outro parlamentar, que se classifica como independente, mas pediu anonimato, afirmou que é consenso na ALMG que o protesto foi um ato de um oportunismo político por parte de Sargento Rodrigues.

“Aquilo foi uma vergonha, oportunismo público claro e desnecessário. Uma coisa que não poderia acontecer no momento tenso e perigoso que vivemos na segurança pública do Estado”, criticou.

Fonte: O Tempo

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