Servidores do Estado protestam contra suspensão de reajuste em auxílio-refeição

Grupo também pede o fim do parcelamento dos salários

Centenas de servidores públicos do Estado protestaram na manhã desta quinta-feira (12), na esplanada entre os prédios da Cidade Administrativa, no bairro Serra Verde, em Belo Horizonte, contra a suspensão do reajuste de 135% sobre o auxílio-refeição dos funcionários do governo que trabalham acima de 30 horas semanais e não têm alimentação gratuita nos locais onde exercem suas funções.

Segundo a diretora do Sindicato dos Trabalhadores Públicos do Estado de Minas Gerais (Sindpúblicos-MG), Inês Soares, o reajuste foi prometido pelo governo em uma reunião com os sindicalistas no início de junho. O Estado teria garantido um aumento de R$ 27 aos trabalhadores, que hoje recebem um auxílio de R$ 20. Sendo assim, eles poderiam gastar até R$ 47 por dia com alimentação. O reajuste entraria em vigor no dia 29 de junho e constaria em uma folha extra de pagamento, o que não aconteceu.

“Desde 2013 não temos qualquer reajuste, nenhum benefício. O governo prometeu aumentar o auxílio-refeição e de repente resolveu não pagar mais. O salário de diversos servidores já não é suficiente para suprir as despesas de casa como água, luz, telefone e impostos. Então, não recebemos o suficiente para gastar com alimentação”, afirma Inês.

A servidora administrativa da Secretaria de Estado de Educação (SEE), Andréa Cristina Santos, que participou do protesto, conta que os funcionários que trabalham na Cidade Administrativa, por exemplo, têm dificuldade para pagar pela alimentação, com o valor atual do auxílio-refeição, em qualquer um dos 16 restaurantes do local. “É insuficiente. Se a pessoa não conseguir trazer a comida de casa, ela fica sem alimentar direito. É impossível comer bem aqui com menos de R$ 30 por dia”, garante.

Durante o protesto, os manifestantes fizeram muito barulho em frente ao prédio Gerais, com cornetas e apitos, para chamar a atenção de outros servidores e do governo. Eles promoveram um “buzinaço” ininterrupto por aproximadamente duas horas. Entretanto, nenhum representante do Estado apareceu para conversar com os integrantes do ato sobre a suspensão do reajuste..

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), responsável por cuidar do assunto, não explicou o motivo da suspensão. Em nota, a pasta afirmou que “não vai comentar a manifestação”.

Salários parcelados

Os servidores que se reuniram na Cidade Administrativa para protestar contra a suspensão do reajuste do auxílio-refeição, também aproveitaram o momento para pedir ao governo o fim do parcelamento dos salários, adotado desde fevereiro de 2016.

“Já vamos para quase três anos de escalonamento. Somos cobrados o tempo todo, nós fazemos o nosso trabalho, mas o governo insiste em não nos atender. Isso é uma falta de respeito com todos nós. O parcelamento dos salários precisa acabar”, ressalta o servidor da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania (SEDPAC), Udson Bispo.

De acordo com a Secretaria de Estado de Fazenda (SEF), no mês de julho, a primeira parcela do pagamento do funcionalismo público estadual será paga nesta sexta-feira (13). Já a segunda parcela está prevista para o dia 25 e, por fim, a terceira é prometida para ser efetuada no dia 31.

Os servidores da Segurança Pública e da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) que possuam vencimentos de até R$ 3.000, receberão o salário integral logo na primeira parcela.

Para os demais servidores do Estado, o valor pago na primeira parcela será de, no máximo, R$ 1.500. O mesmo critério será seguido no pagamento da segunda parcela. Já na terceira serão depositados os valores restantes para todos os servidores.

Na semana passada, o secretário estadual de Planejamento e Gestão, Helvécio Magalhães, anunciou que o escalonamento será realizado até o fim do mandato do governador Fernando Pimentel (PT).

Fonte: O Tempo

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