Situação precária de hospitais da Fhemig será tema de audiência pública

Comissões de Saúde e Administração Pública vão debater o sucateamento dos hospitais, falta de investimentos na saúde e possibilidade de fechamento do Hospital Alberto Cavalcanti

A qualidade da gestão dos hospitais da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig) e o possível fechamento do Hospital Alberto Cavalcanti serão tema de audiência pública conjunta entre as comissões de Saúde e Administração Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). De autoria do presidente da comissão de Saúde, deputado Carlos Pimenta (PDT), o pedido para a realização da reunião foi aprovado nesta terça-feira (24/5).

Denúncias veiculadas na imprensa, por funcionários e por pacientes da rede Fhemig mostram, nos últimos dois anos, total descaso e sucateamento das unidades de saúde. São casos de redução de funcionários, equipamentos importantes inativos ou amontoados como sucata e total desrespeito com trabalhadores, pacientes e acompanhantes. De acordo com a Associação Sindical dos Trabalhadores em Hospitais de Minas Gerais (Asthemg), os trabalhadores reivindicam melhores condições de trabalho, reforma estrutural dos prédios, melhorias em equipamentos e recebimento do benefício de vale alimentação.

Em funcionamento há 81 anos, o Hospital Alberto Cavalcante, localizado no bairro Padre Eustáquio, em BH, é o retrato deste descaso. Referência no tratamento do câncer e no atendimento de urgência em urologia, a unidade está sob risco de fechamento. Sob a alegação de crise financeira, o governo dá indícios de que planeja finalizar por etapas os atendimentos do hospital e transferir funcionários para outras unidades da rede. Afastamento de funcionários e aparelhos de radiografia, endoscopia, tomografia e mamografia parados já são realidade.

“As denúncias são muitas e as soluções têm sido insuficientes. Queremos trazer tudo isso à discussão, que todos os envolvidos exponham os problemas e que possamos exigir as providências necessárias. Os trabalhadores e a população de Minas não podem ter esse prejuízo e cabe ao Parlamento agir em um momento como este”, disse o deputado Carlos Pimenta.

Serão convidados para a reunião o secretário de Estado da Saúde, o Ministério Público de Minas Gerais, o Conselho Regional de Medicina, a Associação Médica de Minas Gerais, o presidente da Fhemig, o sindicato dos servidores da Fhemig, representantes dos hospitais da rede, a direção do hospital Alberto Cavalcanti e representantes do corpo clínico dos hospitais e da comunidade. As comissões definirão, nos próximos dias, a data para a audiência.

Visita à Santa Casa
Outro requerimento do deputado Carlos Pimenta aprovado na reunião da comissão da Saúde desta terça, pede que seja realizada visita da comissão à Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte. Trezentos e cinquenta funcionários da unidade entraram em férias coletivas de 30 dias a partir da última segunda-feira (22/5) sob a justificativa de “gerar economia”. A visita dos parlamentares acontecerá na próxima quarta-feira, dia 31 de maio.
A dívida de repasses para a Santa Casa já soma quase R$ 27 milhões. A maior parte, R$ 22,4 milhões, deveria ter sido repassada pelo governo de Fernando Pimentel. Outros R$ 3.739 milhões são débitos do governo federal e o restante da Prefeitura de Belo Horizonte

A maior prestadora de serviços ao SUS em Minas Gerais, a Santa Casa foi a primeira instituição de saúde instalada em Belo Horizonte, em 1899. Este ano o hospital já teve que lidar com o fechamento de 430 leitos em março e abril. “Precisamos fiscalizar e acompanhar de perto o que está acontecendo com a Santa Casa. A unidade atende a todo o estado, é referência do SUS em Minas e não pode ser sucateada. A saúde precisa ser tratada como prioridade em Minas”, reforçou Carlos Pimenta.

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