Transmissões da Inconfidência e da Rede Minas serão investigadas pelo MPMG

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) abriu, na última semana, um inquérito civil para apurar supostas irregularidades na transmissão ao vivo de uma manifestação política por parte de dois veículos de mídia do governo do Estado: a Rede Minas e a Rádio Inconfidência. A denúncia foi movida pelos deputados estaduais João Leite (PSDB), Gustavo Valadares (PSDB) e Sargento Rodrigues (PDT), que fazem parte da oposição à gestão do petista Fernando Pimentel na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Na avaliação dos parlamentares da oposição, os veículos de comunicação, por serem financiados e controlados pela administração estadual, não poderiam transmitir o evento “Canto da Democracia”. A manifestação política e artística em defesa da democracia e contra o impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT) foi realizada em abril do ano passado em várias cidades do país. Convocado por frentes populares e partidos como PT e PCdoB, o ato foi feito na praça da Estação, na região central de Belo Horizonte.

Em conversa com a coluna, o deputado estadual João Leite argumentou que a denúncia foi movida pela oposição porque a transmissão de um evento ligado ao PT fere os princípios democráticos. “É um absurdo e temos ficado muito preocupados com isso. Não é de hoje que isso vem ocorrendo. A estrutura do governo de Minas não pode ser utilizada para divulgar apenas um lado, apenas o partido que controla o governo. É estarrecedor, coisa de governos autoritários”, afirmou o parlamentar.

O tucano ainda criticou alguns eventos realizados pelo Legislativo mineiro nos últimos meses. “A Assembleia autorizou a realização do lançamento de um livro do ex-presidente Lula. Aí você vai ver e todos os livros publicados pela Assembleia são estampados nas cores do PT. Não pode, é uma entidade pública, assim como a rádio e a televisão. Elas não podem ser utilizadas para fazer propaganda partidária”, declarou João Leite.

Procurada pelo Aparte, a Rede Minas informou que apenas a Advocacia Geral do Estado (AGE) poderia falar sobre o assunto. No ano passado, a assessoria da Rede Minas argumentou que protestos contrários ao governo da então presidente Dilma também estavam sendo transmitidos pelo canal. “Não há qualquer tipo de orientação política no que é transmitido”, argumentou à época.

Por meio de nota, a AGE afirmou que ainda não teve acesso ao inquérito. A assessoria da ALMG também foi procurada para se posicionar sobre a declaração de João Leite, mas a Casa afirmou que não iria se manifestar.

Fonte: O Tempo 

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